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A Voz do Minho
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Escrito por: Flávio Silver
Jurei nunca falar de futebol. as juras são para mim uma espécie de novela: com amor e traição à mistura. claro que no meio é que está a virtude ou não fosse eu um exemplar de amor sem consciência. Adão atreveu-se e, lá está, a Eva deixou-se levar pelo parlapié do nómada de tanga e pêlo encaracolado no peito. mas, sem fugir ao assunto, futebol não consta na minha lista de homenagens insultuosas, uma vez que até nem é preciso a minha intervenção, já que driblar insultos, é matéria estudada pelos mais ferrenhos. alguns teóricos defendem que eu, flávio silver, tenho uma ponta de raiva quando o meu benfica perde. aproveito este momento noticioso para dizer a esses escarafunchosos que, não é uma vitória ou uma derrota do benfica que irá decidir o meu humor. lá por ter um peluche equipado à benfica, aos pés da cama, isso não significa rigorosamente nada. o meu clube é a poesia equipada com metáforas armadilhadas.Ler mais | Comentários (1) | Visualizações (361)
Escrito por: Flávio Silver
Hoje, levei uma injecção no cu. andei coxo por mais de meia hora. deram-me umas vitaminas para os ossos a ver se a coisa começa a rolar. os meus trinta e poucos anos já não me permitem grandes variedades nocturnas. assumo que sou mais caseirinho, mais do tipo de chinelo de quarto, prontinho para a cama.oiço mais Fado que música rock. qualquer bocadinho de pão já satisfaz a minha fome. a minha alma está mais ligada às questões da natureza e ao chilrear dos passarinhos. por favor não critique a minha súbita mudança. eu sei que a luta é para continuar. só que agora, uso a palavra escrita para o protesto. é mais fácil e além disso, evita-se sangue. qualquer um de nós havia de ter um cantinho para escrever e lançar-se de bentas ao papel contra a desumanidade.
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Escrito por: Flávio Silver
São neste momento, segundo a informação do meu modesto computador, catorze horas e trinta e seis minutos. quando acabar este texto em forma de diário a bordo no meu quarto, verei o tempo que levei a concluir este mesmo texto. pela primeira vez na vida vou contar o tempo. cada minuto será determinante para o meu ego. o objectivo é claro: nenhum. não pretendo surpreender nem contar nenhuma história. há dias assim.Hoje levantei-me com um formigueiro na mão esquerda. neste momento alguns de vós devem estar a pensar que estou na reinação. é verdade. ainda agora o mantenho, portanto, teclar nestas minúsculas teclas é um sacrificio enorme. bem, pelo menos tenho a desculpa de ser péssimo escrevedor. mas afinal o que é que vocês esperam das minhas palavras? a chave certa para os números do euromilhôes? então nesse caso feche a janela e visite sites de astrologia barata e deixe-se deliciar pelas contradições.
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Escrito por: Flávio Silver
decido o hoje com base no amanhã.olho para o amanhã como se não houvesse hoje.
hoje é uma mistura de ontem com anteontem.
ontem não pensei em hoje e hoje penso como seria se voltasse a ontem.
amanhã é um novo hoje
e hoje é hoje porque ontem pensei no amanhã.
se amanhã não estiver aqui é porque hoje decidi
que o amanhã só vale a pena quando hoje tiver
o ontem e o anteontem resolvidos.
entendeu? não?! amanhã você ficará a saber melhor,
já que o hoje são muitos ontens
que ficaram aquém de um bom signo.
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Escrito por: Flávio Silver
Caí do céu, mas garanto que não me quebrei. esta dor no joelho já é antiga e não tem nada a ver com o caso. para lá das nuvens, o desconhecido passou a ser conhecido perante estes meus dois olhos mal colocados nas órbitras, mas que nunca me deixam enganar. vi coisas fabulosas que eu nem eu sei porque ponta hei-de pegar. bebi milhões de gigas de memória que não dá para esclarecer no momento. havia seres de duas e três cabeças agarradas a um só pescoço. eu era o único que tinha e tem uma só cabeça. por tal diferenciação de factos biológicos, os seres olhavam-me sem respeito e riam-se na minha cara. Venho do sul da galáxia fique sabendo, vi astro-naves sobrevoando a cinco palmos da minha cabeça.Ler mais | Comentários (0) | Visualizações (138)
Escrito por: Flávio Silver
Ainda as notícias não arrefeceram e já o povo comenta. Junta-se as gentes em semi-circulo rente aos quiosques cujos jornais presos por molas de roupas como estendais, pingam desinterias, gripes e desempregos, exibem seus cabeçalhos de letras gordas em notícias de magra surpreendência.Comenta-se o jackpot que saiu, falam de chaves Ler mais | Comentários (0) | Visualizações (150)
Escrito por: Flávio Silver
Se ainda tem dor, dar-lhe-ei duas ampolas filosóficas, duas razões para você contrariar, centenas de sofismas para juntar à limonada, ou então, duas rezas miudinhas e verá que isso passa. Os psiquiatras não sabem nada, devoram manuais para nada, têm os sofás comidos por reles confissões.Se a dor permanecer, vire-se para Meca, ponha-se de joelhos e reze para que não tenha um filho contorcionista.
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Escrito por: Flávio Silver
Falo de tudo um pouco e no final de tudo há um nada a sobressair.Lembra-me os politicos deste e de outros países que falam tanto e não dizem nada.
O povo aplaude. o povo vem à janela assistir à procissão dos mercedes.
Tenho um rissol na boca e não me posso deslocar. o vinho tinto limpou-me as goelas - agora posso falar
naquele timbre a cheirar a verdade. Por falar em verdade, alguém a viu por aí?
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