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A Voz do Minho
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Escrito por: Flávio Silver
Desta vez a crónica é feita sem o cigarro colado nos dedos. Não é que tenha deixado de fumar - a ver vamos - mas, resolvi trazer esta semana uma crónica, digamos, ambientalista, sem aquele odor característico de massa esparguete de três dias. Para já, antes de qualquer graçola democrática, devo dizer que, concordo com a nova lei do tabaco, apenas com alguns acrescentos e tal, ela daria uma esfinge grega – bastante adorada.
Está bem que a malta que fuma deve, quando o espaço não permite, adiar o vicio por uns bocados, mas, agora, por exemplo, e eu que quando vou a uma cafetaria tenho de suportar a televisão ligada na TVI com uns badamecos a palrar a missinha dos três vinténs?! E eu, que até não gosto de coelho estufado, sou obrigado a gramar com o cheiro desse animal que, graças a não sei quem, de animal de estimação foi galardoado a animal de refeição?!
Escrito por: Flávio Silver
Um árbitro de futebol ou um político, em Portugal,
deve custar à volta de 1000 euros.
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Escrito por: Flávio Silver
O TABACO MATA
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O ESTADO TAMBÉM
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Escrito por: Flávio Silver
É com orgulho patriótico que digo que Portugal não é somente um país de futebol, também temos as telenovelas, o que faz de nós os maiorais na arte da castração psicológica. Pelo menos neste ranking - e no uso indevido de palavrões - podemos acenar aos nuestros hermanos. Ah, desculpem o esquecimento, os portugueses, em questões de aluguer de filmes porno, são neste domínio, dos primeiros da Europa. Afinal não somos assim tão atrasados! Cada português tem uma pequena industria cinemateca escondida atrás dos armários, no meio de capas de argolas, que o utiliza quer para troca quer para fazer número à colecção. Os mais sofisticados, guardam tudo no PC (não me refiro ao partido comunista, mas sim ao computador), criando as suas próprias legendas e, dando mais floreados aos gemidos com a ajuda de um software.
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Escrito por: Flávio Silver
Se entrou a fumar por favor apague o cigarro, ou lá o que é que tem metido na boca. É que eu não estou para chatices!
A lei é para cumprir e, quem não cumpre, ou tem cargo na polícia ou é filho de gente rica.
Esta casa é séria, portanto, vá-se habituando a deixar a chucha só para quem está em idade de mamar.
Faça como eu, vá ver o ar lá fora, inspire um bocado e depois volte, pode ser que eu ainda aqui esteja a matar os últimos tiros
de um maço que eu digo sempre que é o último.
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Escrito por: Flávio Silver
A Barbie este Natal pôs-se ainda mais gira, foi ao cabeleireiro fazer uns alongamentos, cobriu as unhas com um verniz bem cheiroso - ao contrário do que usava antes - deitou por cima do corpo-plástico vestidos cintilantes, tal Cinderela até à meia-noite. Depois, pegaram na Barbizita e enfiaram-na numa caixa, amarrada por uns elásticos e, colocaram-na numa estante com um preço marcado que nem vos digo senão estrago-vos as férias Natal – que neste caso só calha a funcionários públicos e outros tipos habilidosos que marcam doenças para esta quadra. O Natal já passou, do bacalhau tive de saborear cada espinha, ai não!, porque também as paguei num preço calculado por um ourives que está agora a começar a subir na vida.
O Bolo-rei não estava mal, excepto o caso de ter encontrado no meio de uma fatia um CD do filho do Tony das Camionetes (mais conhecido pelo Tony Carreira), que por não sofrer a doença do fácil refrão, aproveitei o momento e cantei-lhe o caraças num tom de como se estivesse debaixo de água! Fora isto, e o facto de pela vigésima vez me calhar como prenda um par de peúgas de ângora, tudo correu normal. A sogra deu-me um sorriso daqueles, tipo, vê lá se pões a minha filha feliz senão, vai o terreno que seria para a casa, para leilão. Rezou-se o terço antes do jantar mas, por motivos de apertos, nem a uma terça parte assisti.
Escrito por: Flávio Silver
Eis que está a chegar o Natal, vamos fingir a pobreza, decorá-la com luzinhas a piscar e, no meio de tantas fitinhas, tudo vai parecer um bolo rei, ou seja, o brinde ninguém o topa, mas a dura fava está sempre lá, para dar cabo de mais um dente.
Gosto do Natal, gosto de comer uma barra de chocolate por estes dias, gastar mais do que o que devia, deixar os problemas para o próximo ano. Vou dizer que vou deixar de fumar pela vigésima vez, vou rasgar o calendário deste ano que está na cozinha e botar um novo.
Vai saber tão bem sentir que aguentei os cúmulos da pseudo-democracia!
Vou analisar, e depois formatar o meu fígado por tudo que engoli em seco. As coisas que me estão atravessadas na garganta, vou deixá-las ir. Sou assim: às vezes fraco, às vezes duro. No Natal ficamos moles para o bem das criancinhas, deitamos as cartas na mesa para jogar, partimos as nozes na dobra da porta, provamos as rabanadas com o dedo, não ligamos puto ao tipo que está a discursar na televisão com a bandeira a servir de fundo.
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Escrito por: Flávio Silver
A galinha pôs o ovo e não há nada a fazer, alguém será responsável pela sua casca oval.Não vou perguntar quem foi porque isso é considerado descaramento.
Pois bem, o que está na moda è: estar na moda. Passo a citar: andámos todos (excepto alguns) num ai quem me ajuda, ó pá empresta-me aí vinte euros que amanhã já tos dou, queixámo-nos da factura do dentista (e com razão) que por vezes mais vale aguentar a dor do que andar a mantê-los (quem inventou a nossa dentição havia de a ter inventada com menor números de dentes, né?).
Está na moda os passeios pedestres - o que concordo num absolutismo - porque vieram os sabedores da saúde dizer que caminhar faz bem, logo, das nove às dez, troca-se o sofá, farto das nossas merdas, pelas caminhadas. Depois, quem não andar com o aurícular do telemóvel espetado na orelha, pela rua, a falar para não sei quem, já é considerado um atrasado.
Quem ainda não substituiu ainda o sabão rosa pelo gel de banho perfumado, é olhado com desdém, então uma camisa mal brunida e um colarinho despegado do pescoço nem se fala.
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Escrito por: Flávio Silver
Vou iniciar uma série de plágios e espero que não me levem a mal, isto é um pouco sentimental. Na semana passada decorreu a jornada do ocultismo em Barcelos (é tão oculto que ninguém chega a perceber o que é que eles querem dizer). “Deixa-me rir”. Sentiu-se no ar um cheiro a incenso medonho, mas em contrapartida, espero bem que os bruxos que cá estiveram tenham reunido forças para dar um empurrão ao Gil Vicente, acertar as linhas da câmara e, acabar com o “cá se vai andando com a cabeça entre as orelhas”. Agora que o estado vai ajudar os casais por mais um filho deitado ao mundo, já se pode levar a cabo “estou fazendo amor com outra pessoa” pois o que está em causa é, facturar (julgam eles).
Cada vez existe mais pessoas no desemprego, a usufruir de altos rendimentos mínimos e eu, “sei de cor” cada estatística que aumenta, cada notícia de jornal com políticos a dizer “amanhã talvez”. Os velhinhos queixam-se das suas fracas reformas, que se apanham uma tosse estão feitos, que a indiferença é o “papel principal” nesta “casa portuguesa”, gritando aos céus “dei-te quase tudo” e agora vejo que “afinal havia outra” e o “anel de rubi” foi mal empenhado. “Sou rica em sonhos e pobre, pobre em ouro”, quando não houver mais ourivesarias para gamar, já se está a ver que os sonhos serão as próximas vítimas.
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Escrito por: Flávio Silver
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Escrito por: Flávio Silver
O país anda a encher chouriços. Não ria, pois pode ser que eu ou você tenhamos de oferecer da nossa própria carne para compor o orçamento. Pela conta que isto anda, muito em breve esta ficção será possível. Não acredita? Pois bem, não venho aqui convencer ninguém, o senhor é que sabe a vida que quer levar, não cabe a mim inventar costas largas para chicote. Cada um gosta do que gosta e não há nada a fazer. Se eu fosse santo, tratava-me bem, como não o sou, vou fazendo cera para pavios. Acho que sermos um pouco utópicos tem as suas vantagens: quem é que nunca sonhou com uma casa na praia, a demolhar os pensamentos em alegrias sensuais? Comer camarão directamente do mar para o prato, tomar banho de sais e abrir o apetite com uma morena a encher o copo de champanhe? Infelizmente, o país não admite tais venturas, há um talão de factura em cada pensamento bom. Quem sonha um dia ser, tem que dar baixa nas finanças.
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Escrito por: Flávio Silver
Se me dão licença, vou dormir. que o meu sonho seja louvado. vou fechar os olhos e espreitar outras galáxias. tenho sonhos por realizar, em divida. talvez seja hoje, nesta noite em que as águas do rio estão serenas, que eu vá obter a clareza do meu futuro, que para já, como se deve notar na minha pose esquinada, está dificil de achar. bem a cigana me tinha dito que a minha sorte só a ferro e fogo é que será arrancada. mas eu não quis acreditar nem tão pouco lhe ofereci uma quantia moderada em sorrisos.Meto-me por atalhos da vida e dou quase sempre de caras com um beco, carregado de ilustrações eróticas nas paredes. algumas horriveis até, outras, atraentes. infelizmente, as minhas artroses quase nucleares, não me deixam ir aqui ou acolá. sujeito-me ao meu quarteirão, onde na maioria reina a terceira idade.
Em 1990 gozei muito, tinha uma agenda especifica para marcar as festas das aldeias, o meu sotaque nunca me deixou em meias falas, portanto, eu era um conquistador que nunca temeu tempestades. melhor dizendo, o meu palmarés de engates é por si só, um motivo para que quando eu morrer, as minhas cinzas sejam depositadas no Panteão Nacional, ao lado de outros conquistadores que decobriram terras. eu não. eu descbri corpos. cartografei inúmeros corpos.
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Escrito por: Flávio Silver
Até aos 35 anos achava-me um tipo especial. A minha caixa de correio era invadida por cartas com declarações descaradas de fulanas que conhecia por aí. Na mesa de um bar, havia sempre um lugar para mim, davam um jeitinho para lá, para eu caber. Até a liberdade de pôr os cotovelos na mesa e tossir umas piadas me era permitido. Até essa data tinha um negócio que rendia, apesar de o Estado não me reconhecer tal mérito uma vez que eu o evitava dado aos meus negócios pouco fundamentados.
Comprava relógios de pulso semi-avariados, ao que depois de algumas mexidelas neles, ficavam aptos para transacção e, o lixo já não era os seus destinos. Vendia-os a preços de fazer crescer os bolsos e, o meu Ego alternativo, agradecia. Tudo corria de vento em popa, inclusive tinha um projecto para uma casita metido na câmara, em andamento.Juntei negócios a outros negócios. Senhores do Banco davam-me cumprimentos ainda que estivesse a dobrar a esquina. De sucata fazia obras de arte dignas de se mostrar de café em café – à cata de um novo-rico que se impressionasse com as minhas toscas maravilhas. Ora bem, eu para além dos relógios, vendia uns cristoszinhos em imitação de pau-preto, umas pratas banhadas a ouro, etc.
Até que um dia deu-se o caso: o fornecedor resolveu bater a bota sem anunciar, assim sem mais nem menos e eu, fiquei com o stock reduzido a meia dúzia de tringalhos para pendurar ao pescoço. Por consequência, deu-se a falência acompanhada de uma banca rota a todos os níveis: quer física quer mental. Agora estou na casa dos cinquenta, vejo a minha vida sendo ultrapassada por figurões mais habilidosos. Bem tento sociedades, mas como é preciso entrar com algum, fico-me pelo projecto rascunhado em guardanapos.
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Escrito por: Flávio Silver
Gostaria de ser um pouco Rambo. não pelos seus cabelos cónicamente bem desenhados, nem pela sua musculatura aminoácida. mas sim pelo jeito (isto soa-me a brasileiro) como ele consegue se escapar de não sei quantos disparos, ileso. posso imaginar agora, assim de repente, como é que seria se eu por exemplo, fosse à ilha da madeira e fizesse um protesto sobre a péssima forma como canta e discursa o alberto joão jardim. claro que tinha de correr muito para salvaguardar a minha pele. já se sabe que a ilha é só para turismo, qualquer graçola mais à esquerda, está-se sujeito a consequências pouco recomendadas. mas, era giro. admito que era giro se eu por umas horas fosse um Rambo e, entrasse lá na ilha da madeira com ideias novas, com panfletos a reinvindicar direitos iguais, denunciar de vez a maldita pedófilia, acabar com os barões, com os lobbies daquela cintilante aparência. é fácil calcular que mal abrisse a boca, tinha logo a nossa estimada G.N.R. com os bastões açirrados, apontados ao meu corpo moreno deste verão. mas o que eles não sabem, é que hoje, sou Rambo. portanto, nada, nadinha, me fará ter receio de meia dúzia de chicotadas lá na prisa. sendo assim, aguento tudo. como boina verde que sou, levarei o meu lema até às últimas instâncias: acabar com a falta de opinião, mostrar o outro lado da ilha - que nem tudo é sol e mar.Ler mais | Comentários (0) | Visualizações (170)
Escrito por: Flávio Silver
De cotovelos na secretária, a janela semi-aberta a deixar passar fracções de vento: sinto-me operacional. um sumo de laranja ou uma batida de goiaba vinha a calhar. estou visitando mundos interiores. o portátil à minha frente oferece-me um licor, aceito. por ele, naveguei em chats nunca dantes navegados. fui Viriato de descobertas internáuticas. conheci mundos num ecran de cerca de quinze polegadas. falei com mulheres que nem sei seus verdadeiros nomes ou idades. sons multicores, slogans de publicidade invadem meu domingo calmo. alguém me veio bater à porta do mensageiro com um nickname que desconheço: uma tal de carol que eu suponho chamar-se carolina.Ler mais | Comentários (0) | Visualizações (255)
Escrito por: Flávio Silver
Mafalda veiga e João pedro pais. se eu fosse padre, casava os dois. as suas cumplicidades em palco são notórias, até para os mais distraídos. dum caldinho fez-se dois e, um leva a colher à boca do outro. ele, matreiro, pisca o olho, e ela, que já toca guitarrra à que séculos, dá-lhe um acorde suspeito. finjo não entender os seus sorrisos comprometedores. não quero levantar suspeitas muito menos retirar-hes o valor mas, que eu dava um bom detective de infedelidades, dava. vou ao pormenor mais mesquinho, sabiam? cada gesto tem um significado e eu, não deixo passar uma mãozada no joelho. isso a mim diz-me muito. revela os minutos antes de entrar em cena, lá no camarim. claro que você já adivinhou que estou com dor na dobradiça do braço. quer dizer, eu que hà anos acompanho a carreira da Mafalada e, vem agora um joão qualquer e , tau, saca a garina para altos concertos. não pode ser! e ela que já foi comigo a paris, a cantar-me bem dentro dos ouvidos, no mp3 e, de repente pá, lá por o tipo ter uma voz à Brian adams, pensa que vai tirar a mafaldinha do povo. ai se eu soubese tocar violão!, convidava a mafalda para umas violadas numa praia qualquer deste país. ela só tinha que aceitar. eu não sou menos que o outro nem mais do que ninguém. eu sou eu e isso basta-me para ter a confiança para lhe declarar em escala melodiosa tudo aquilo que me vai nas entranhas da alma.Ler mais | Comentários (0) | Visualizações (385)
Escrito por: Flávio Silver
A minha actividade sexual oscila entre saturno e a ursa maior. melhor dizendo: para que compreenda, sem criar complexo, sónia araújo é o logotipo dos meus sonhos entre as duas e as três da manhã. penso que a minha vizinha já reparou neste meu sorriso novo importado da bamdoma. que posso eu fazer, nada!Sou português legítimo e isso explica metade dos meus anseios. minhas hormonas pululam por todo o meu corpo, inclusivé, cupido já me avisou para ter calma. esta vida de criar imagens fervorosas é o ópio das minhas madrugadas. imagino mulheres dotadas de tudo o que é bom e, depois, como resultado, sobressai-se a zona dos bolsos das calças. a minha sexualidade aprendi-a por volta dos catorze anos, quando a playboy dava dicas sobre a exploração mineira do corpo. vasculhei todo o meu corpo, tratei mal o meu sexo às vezes mas, aprendi. hoje sou homem feliz e contente por não ser mais um daqueles que sofre de ejaculação precoce.
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