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A Voz do Minho
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Escrito por: Flávio Silver
Já alguém dedicou uma crónica aos caçadores? Que burro!, claro que já!, ou não fossem eles os predadores de tudo ou quase tudo que se mexe no ar. Um dia que um anjo resolva vir à terra, está-se mesmo a ver o que acontecerá à sua brancura. Ou mesmo eu, que às vezes ando com a cabeça no ar, portanto, convem-me não dizer muitas piadas sobre eles, senão, pum pum.
O caçador tem um estilo próprio, acreditem, os coletes de verde pinho que eles botam por cima dos camisolões para ficarem mais entroncados, têm uma ciência por explicar dentro deles. Ou seja, nunca ninguém descobriu a verdadeira função daquele aparatoso colete, cujos setecentos bolsos abrigam mortalhas, piriscas, quatro latas de cerveja, fisgas, etc. Mas isso nada importa. Penso que eles usam isso para não serem confundidos com agentes florestais ou sub de sub-empreiteiros que andam a apalpar terreno para a criação de bordéis. O caçador, é por norma, a seguir aos pescadores de rio poluente, mesmo à frente de consultores imobiliários, os maiores gabacholas. Passo a explicar: mesmo que a caça lhes corre má, utilizam expressões um pouco Pessoanas, do tipo: “só vim matar saudades”, ou, “ vim matar o tempo”.
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