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A Voz do Minho

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Escrito por: Flávio Silver


A Barbie este Natal pôs-se ainda mais gira, foi ao cabeleireiro fazer uns alongamentos, cobriu as unhas com um verniz bem cheiroso - ao contrário do que usava antes - deitou por cima do corpo-plástico vestidos cintilantes, tal Cinderela até à meia-noite. Depois, pegaram na Barbizita e enfiaram-na numa caixa, amarrada por uns elásticos e, colocaram-na numa estante com um preço marcado que nem vos digo senão estrago-vos as férias Natal – que neste caso só calha a funcionários públicos e outros tipos habilidosos que marcam doenças para esta quadra. O Natal já passou, do bacalhau tive de saborear cada espinha, ai não!, porque também as paguei num preço calculado por um ourives que está agora a começar a subir na vida.

O Bolo-rei não estava mal, excepto o caso de ter encontrado no meio de uma fatia um CD do filho do Tony das Camionetes (mais conhecido pelo Tony Carreira), que por não sofrer a doença do fácil refrão, aproveitei o momento e cantei-lhe o caraças num tom de como se estivesse debaixo de água! Fora isto, e o facto de pela vigésima vez me calhar como prenda um par de peúgas de ângora, tudo correu normal. A sogra deu-me um sorriso daqueles, tipo, vê lá se pões a minha filha feliz senão, vai o terreno que seria para a casa, para leilão. Rezou-se o terço antes do jantar mas, por motivos de apertos, nem a uma terça parte assisti.

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Escrito por: Flávio Silver

Eis que está a chegar o Natal, vamos fingir a pobreza, decorá-la com luzinhas a piscar e, no meio de tantas fitinhas, tudo vai parecer um bolo rei, ou seja, o brinde ninguém o topa, mas a dura fava está sempre lá, para dar cabo de mais um dente.
Gosto do Natal, gosto de comer uma barra de chocolate por estes dias, gastar mais do que o que devia, deixar os problemas para o próximo ano. Vou dizer que vou deixar de fumar pela vigésima vez, vou rasgar o calendário deste ano que está na cozinha e botar um novo.

Vai saber tão bem sentir que aguentei os cúmulos da pseudo-democracia!

Vou analisar, e depois formatar o meu fígado por tudo que engoli em seco. As coisas que me estão atravessadas na garganta, vou deixá-las ir. Sou assim: às vezes fraco, às vezes duro. No Natal ficamos moles para o bem das criancinhas, deitamos as cartas na mesa para jogar, partimos as nozes na dobra da porta, provamos as rabanadas com o dedo, não ligamos puto ao tipo que está a discursar na televisão com a bandeira a servir de fundo.
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Escrito por: Flávio Silver
A galinha pôs o ovo e não há nada a fazer, alguém será responsável pela sua casca oval.
Não vou perguntar quem foi porque isso é considerado descaramento.
Pois bem, o que está na moda è: estar na moda. Passo a citar: andámos todos (excepto alguns) num ai quem me ajuda, ó pá empresta-me aí vinte euros que amanhã já tos dou, queixámo-nos da factura do dentista (e com razão) que por vezes mais vale aguentar a dor do que andar a mantê-los (quem inventou a nossa dentição havia de a ter inventada com menor números de dentes, né?).

Está na moda os passeios pedestres - o que concordo num absolutismo - porque vieram os sabedores da saúde dizer que caminhar faz bem, logo, das nove às dez, troca-se o sofá, farto das nossas merdas, pelas caminhadas. Depois, quem não andar com o aurícular do telemóvel espetado na orelha, pela rua, a falar para não sei quem, já é considerado um atrasado.
Quem ainda não substituiu ainda o sabão rosa pelo gel de banho perfumado, é olhado com desdém, então uma camisa mal brunida e um colarinho despegado do pescoço nem se fala.
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