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- Qual é o seu nome?
- José - responde o empregado.
- Olhe - explica o gerente - eu não sei em que espelunca você trabalhou antes, mas aqui nós não chamamos as pessoas pelo seu primeiro nome. É muito familiar e pode levar à perda de autoridade. Eu só chamo meus empregados pelo sobrenome: Ribeiro, Matos, Souza. E quero que o senhor me chame de Sr. Mendonça.
- Bem, agora quero saber, qual é o seu nome?
O empregado responde:
- Meu nome é José Amorzinho.
- Tá certo, José. Pode ir agora...
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A Voz do Minho
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Escrito por: Flávio Silver
Estou confuso. Estou com um entupimento cerebral e, raios!, não sei por onde hei-de começar. Pelo príncipio seria o mais lógico, mas, desta vez, começarei pelo fim. Não, não vou pedir que comecem já a rir, até porque quem ri por último, ri melhor.
Desculpem-me a péssima entrada mas, há coisas que não consigo entender e, uma delas é: o fardamento da nossa GNR. Vocês já repararam bem naquelas calças azuis, justíssimas, a fazer depilação automática, com as botas de cano alto de fora? Bem, eu não quero insinuar nada, mas, cá para nós, quem desenhou aquele traje pindérico devia estar a pensar em outras coisas marotas. Ainda nem sei como é que a comunidade Gay não tirou o modelo daquela vestimenta que, como mostra de respeito, não tem nada, a não ser que a ideia passe em captar talentos para o Ballet.
Outra minhoca que rabeia num dos meus seis ou sete sentidos é: a bolsa das mulheres! Outra vez: a bolsa das mulheres!, que tantos sonetos daria para o menor dos inspirados sonetistas. Sei que várias tentativas foram fracassadas no deciframento dos possíveis e inimagináveis objectos que as queridas donzelas transportam naquele que, segundo o núcleo de investigação científica, a fórmula para o prolongamento dos tecidos corporais, ou mesmo o código Da Vinci, pode aí ser desvendado.
Certo é que, o segredo em relação ao seus conteúdos interiores se mantem na folia dos Deuses e, quem quer que ouse espreitar lá para dentro, terá seguramente cem anos de infelicidade. Houve já quem se arriscasse a infiltrar dentro de um saco de mulher para um estudo exaustivo, munido de apetrechos de salvamento aquático.
Pois sabe-se por fonte segura que dentro do saco, a qualquer momento pode jorrar uma quantidade razoável de água que elas, as mulheres, utilizam-na como lágrimas suplentes. Quer para situações de luto como para amansar a dor de piiii da amiga. Claro que o responsável pelo feito heróico teve baixa imediata num hospital psiquiátrico, onde ainda hoje não consegue abrir a boca dado ao espanto súbito de se ter confrontado com tantos objectos misturados em perfeita desordem.
Este mistério corre o mundo, quer pelo lado científico quer pelo lado sentimental. É mais fácil uma mulher esquecer-se do filho no autocarro do que esquecer-se da bolsa. O único capaz de competir com o saco da mulher é a miserável mala do advogado em que, entre papeis e mata-borrões, se pode encontrar uma quase representação genuína do Apocalipse.
E, se depois da peritagem exaustiva, das análises à imitação da pele, nada for detectado, aí sim, o(a) portador(a) da bolsa fica avisado de que na próxima investida, o inventário ao interior será levado a cabo com mais afinco e, inspecções periódicas podem ser efectuadas por agentes da Gê Ene Erre que, enquanto ninguém levanta suspeitas sobre as suas ditas calças justas, continuarão a ser eles os maus da fita, que passam talão por termos esquecido da carta de condução e do livrete, e a bolsa mesmo ali ao lado a exibir o cúmulo de Kits de beleza.



















