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É Natal, é Natal- 1
Escrito por: Flávio Silver
Eis que está a chegar o Natal, vamos fingir a pobreza, decorá-la com luzinhas a piscar e, no meio de tantas fitinhas, tudo vai parecer um bolo rei, ou seja, o brinde ninguém o topa, mas a dura fava está sempre lá, para dar cabo de mais um dente.
Gosto do Natal, gosto de comer uma barra de chocolate por estes dias, gastar mais do que o que devia, deixar os problemas para o próximo ano. Vou dizer que vou deixar de fumar pela vigésima vez, vou rasgar o calendário deste ano que está na cozinha e botar um novo.
Vai saber tão bem sentir que aguentei os cúmulos da pseudo-democracia!
Vou analisar, e depois formatar o meu fígado por tudo que engoli em seco. As coisas que me estão atravessadas na garganta, vou deixá-las ir. Sou assim: às vezes fraco, às vezes duro. No Natal ficamos moles para o bem das criancinhas, deitamos as cartas na mesa para jogar, partimos as nozes na dobra da porta, provamos as rabanadas com o dedo, não ligamos puto ao tipo que está a discursar na televisão com a bandeira a servir de fundo.
Levantamos o riso até doer os queixos, deixamos as compras para o último dia porque a tradição manda mais do que qualquer lei de trânsito. As inflações que se lixem, o mercado de capitais, idem aspas, a distribuição da riqueza, tem tempo para discutir isso depois. Começo a pensar que eu e o Estado nesta época natalícia somos idênticos: adiamos os compromissos vitais para o próximo ano, tipo: pró ano é que vai ser! Este ano espero ver no sapatinho um conjunto de alegrias, as previsões da Maia a bater dente com dente no intuito de dizer que os aumentos salariais não é utopia mas uma realidade de carne e osso. Quando isso acontecer já o milagre tem a sua graça.
Acabar com as corrupções, com os processos demorados, com o difícilex arranjar estacionamentos, é pedir muito ao Pai Natal, eu sei, sempre foi assim e será. De acordos estou por aqui, da teoria à prática um abismo separa-os, tretas e mais tretas a somar a outras tretas é a lógica previsão de que em Dezembro há neve na Serra da Estrela. O Natal é fixe para aderirmos ao cartão de crédito (esse plástico-rectângulo-guloso), gastar dinheiro que não é nosso, encher o carrinho no hipermercado com prendinhas prá prima e pró primo, pagar uma "berlaitada" ao amigo, depois, qual depois!, o português nestas de ir dar cabo do canastro para a Suíça para pagar o fiado, é crack. O que importa que não falte nada, nem aquelas bolinhas de chocolate, espinhadas - que não posso dizer a marca porque o Ambrósio não me paga pela publicidade - faltarão para dar a volta aos estômagos.
Eu acredito no Pai Natal, acredito que o editor me vai desculpar a péssima crónica, acredito que o bacalhau está mais caro nestes dias porque a seguir temos roupa-velha de borla para o almoço. Batatas há muitas, bacalhau nem por isso, a crise chegou aos nossos pratos, é a vida, que dirão os africanos que nem prato têm. Sinto que estou a perder piada, não consigo aguçar a piada, o meu espírito satírico está pouco demolhado.
Quero chamar a atenção para determinados problemas e sinto que não vou além da terceira velocidade. Deve ser efeitos da chegada do Natal ou, esperam lá, neste fim de semana último estiveram cá uns reis montados nos seus camelos mas não sei que milagre viram testemunhar. Até acamparam por aí nas suas tendas doiradas, encomendaram umas brasileiras para enfeitar os seus haréns. De certo pensavam que Portugal fosse um deserto, quando afinal, Portugal é apenas um campo de golfe para o turista dar umas tacadinhas e, xau aí!
Já sei, este ano vou pedir ao Pai Natal uma carta de Direitos Humanos, nem que venha com alguns erros, o mais importante é que quando ele descer pela minha chaminé, não lhe dê nenhuma dor de lado, senão estou frito, não sei como irei explicar aos filhos da terra que quando o gordo do Pai Natal se mete em politicas perde as coordenadas, vai de bentas contra o trenó e, nem sequer cinco minutos tem para ouvir estes meus disparates. É Natal e ninguém leva mal se os burrocratas continuarem a assinar o Futuro com PH.
Gosto do Natal, gosto de comer uma barra de chocolate por estes dias, gastar mais do que o que devia, deixar os problemas para o próximo ano. Vou dizer que vou deixar de fumar pela vigésima vez, vou rasgar o calendário deste ano que está na cozinha e botar um novo.
Vai saber tão bem sentir que aguentei os cúmulos da pseudo-democracia!
Vou analisar, e depois formatar o meu fígado por tudo que engoli em seco. As coisas que me estão atravessadas na garganta, vou deixá-las ir. Sou assim: às vezes fraco, às vezes duro. No Natal ficamos moles para o bem das criancinhas, deitamos as cartas na mesa para jogar, partimos as nozes na dobra da porta, provamos as rabanadas com o dedo, não ligamos puto ao tipo que está a discursar na televisão com a bandeira a servir de fundo.
Levantamos o riso até doer os queixos, deixamos as compras para o último dia porque a tradição manda mais do que qualquer lei de trânsito. As inflações que se lixem, o mercado de capitais, idem aspas, a distribuição da riqueza, tem tempo para discutir isso depois. Começo a pensar que eu e o Estado nesta época natalícia somos idênticos: adiamos os compromissos vitais para o próximo ano, tipo: pró ano é que vai ser! Este ano espero ver no sapatinho um conjunto de alegrias, as previsões da Maia a bater dente com dente no intuito de dizer que os aumentos salariais não é utopia mas uma realidade de carne e osso. Quando isso acontecer já o milagre tem a sua graça.
Acabar com as corrupções, com os processos demorados, com o difícilex arranjar estacionamentos, é pedir muito ao Pai Natal, eu sei, sempre foi assim e será. De acordos estou por aqui, da teoria à prática um abismo separa-os, tretas e mais tretas a somar a outras tretas é a lógica previsão de que em Dezembro há neve na Serra da Estrela. O Natal é fixe para aderirmos ao cartão de crédito (esse plástico-rectângulo-guloso), gastar dinheiro que não é nosso, encher o carrinho no hipermercado com prendinhas prá prima e pró primo, pagar uma "berlaitada" ao amigo, depois, qual depois!, o português nestas de ir dar cabo do canastro para a Suíça para pagar o fiado, é crack. O que importa que não falte nada, nem aquelas bolinhas de chocolate, espinhadas - que não posso dizer a marca porque o Ambrósio não me paga pela publicidade - faltarão para dar a volta aos estômagos.
Eu acredito no Pai Natal, acredito que o editor me vai desculpar a péssima crónica, acredito que o bacalhau está mais caro nestes dias porque a seguir temos roupa-velha de borla para o almoço. Batatas há muitas, bacalhau nem por isso, a crise chegou aos nossos pratos, é a vida, que dirão os africanos que nem prato têm. Sinto que estou a perder piada, não consigo aguçar a piada, o meu espírito satírico está pouco demolhado.
Quero chamar a atenção para determinados problemas e sinto que não vou além da terceira velocidade. Deve ser efeitos da chegada do Natal ou, esperam lá, neste fim de semana último estiveram cá uns reis montados nos seus camelos mas não sei que milagre viram testemunhar. Até acamparam por aí nas suas tendas doiradas, encomendaram umas brasileiras para enfeitar os seus haréns. De certo pensavam que Portugal fosse um deserto, quando afinal, Portugal é apenas um campo de golfe para o turista dar umas tacadinhas e, xau aí!
Já sei, este ano vou pedir ao Pai Natal uma carta de Direitos Humanos, nem que venha com alguns erros, o mais importante é que quando ele descer pela minha chaminé, não lhe dê nenhuma dor de lado, senão estou frito, não sei como irei explicar aos filhos da terra que quando o gordo do Pai Natal se mete em politicas perde as coordenadas, vai de bentas contra o trenó e, nem sequer cinco minutos tem para ouvir estes meus disparates. É Natal e ninguém leva mal se os burrocratas continuarem a assinar o Futuro com PH.

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