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A Voz do Minho
direitos de autor
Quem quer fazer cera para pavios?- 1
Escrito por: Flávio Silver

O país anda a encher chouriços. Não ria, pois pode ser que eu ou você tenhamos de oferecer da nossa própria carne para compor o orçamento. Pela conta que isto anda, muito em breve esta ficção será possível. Não acredita? Pois bem, não venho aqui convencer ninguém, o senhor é que sabe a vida que quer levar, não cabe a mim inventar costas largas para chicote. Cada um gosta do que gosta e não há nada a fazer. Se eu fosse santo, tratava-me bem, como não o sou, vou fazendo cera para pavios.
Acho que sermos um pouco utópicos tem as suas vantagens: quem é que nunca sonhou com uma casa na praia, a demolhar os pensamentos em alegrias sensuais? Comer camarão directamente do mar para o prato, tomar banho de sais e abrir o apetite com uma morena a encher o copo de champanhe? Infelizmente, o país não admite tais venturas, há um talão de factura em cada pensamento bom. Quem sonha um dia ser, tem que dar baixa nas finanças.
Não se fazem saladas de frutas com pimentos e malaguetas, é sabido e mais que sabido. Mas, há quem queira convencer-nos que, a dor e a tristeza, são coisas de poetas, minhocas que os cérebros inventam. Nem pó! A democracia é um estado de espírito que os homens exigem sem planos contratuais e, em vez disso, dão-nos uma janelinha e um postigo para cantarmos a Grândola vila morena para dentro. No fim de tudo, os psiquiatras é que ficam a ganhar com estas piradas leis mecanicistas.
Soltar a voz é mais que uma canção - ou deveria ser. Regressámos ao tempo dos piratas, só que estes, adaptaram-se aos tempos modernos: içam uma bandeira em cada gabinete de ministro, depois vêm à T.V., disfarçados, metidos dentro de um fato escuro, mal engravatados, a rirem-se para o povo e a piscar o olho ao bandido. Estejamos atentos aos seus movimentos de répteis prontos a mostrar as línguas bífidas e a cuspir venenos.
João trabalha nove horas por dia, é casado e tem duas filhas. Ganha 500 euros mensais mais 100 euros que passam por debaixo da mesa. A sua mulher é pau para toda a obra. As suas filhas partilham as roupas, o que não serve a uma tem de servir à outra, custe o que custar. Só de renda do apartamento paga 350 euros batidinhos, fora os 25 de condomínio e os 60 euros dos acertos de água e luz.
João está proibido de adoecer, João está proibido de atestar o depósito do carro, de ir lanchar ao domingo à tarde, está proibido de sonhar com novas tecnologias lá para casa. João consome os produtos mais baratos, não come fruta da época, poupa as camisas para não ter de investir, gasta um xis por cento em raticidas, vitaminas e Nimedes para a carola, etc. Agora digam lá se o Estado tem piedade de nós, se há ou não uma mão sorrateira que vem por trás e nos empurra.
Não apregoo lamecharias, mas sim, exigir o respeito e a seriedade - objectores de consciência. Não pode haver mas nem meio mas. Sermos HOMENS na totalidade não é uma exigência: é uma promessa de vida que Deus não teve culpa de assinar às escuras.
Acho que sermos um pouco utópicos tem as suas vantagens: quem é que nunca sonhou com uma casa na praia, a demolhar os pensamentos em alegrias sensuais? Comer camarão directamente do mar para o prato, tomar banho de sais e abrir o apetite com uma morena a encher o copo de champanhe? Infelizmente, o país não admite tais venturas, há um talão de factura em cada pensamento bom. Quem sonha um dia ser, tem que dar baixa nas finanças.
Não se fazem saladas de frutas com pimentos e malaguetas, é sabido e mais que sabido. Mas, há quem queira convencer-nos que, a dor e a tristeza, são coisas de poetas, minhocas que os cérebros inventam. Nem pó! A democracia é um estado de espírito que os homens exigem sem planos contratuais e, em vez disso, dão-nos uma janelinha e um postigo para cantarmos a Grândola vila morena para dentro. No fim de tudo, os psiquiatras é que ficam a ganhar com estas piradas leis mecanicistas.
Soltar a voz é mais que uma canção - ou deveria ser. Regressámos ao tempo dos piratas, só que estes, adaptaram-se aos tempos modernos: içam uma bandeira em cada gabinete de ministro, depois vêm à T.V., disfarçados, metidos dentro de um fato escuro, mal engravatados, a rirem-se para o povo e a piscar o olho ao bandido. Estejamos atentos aos seus movimentos de répteis prontos a mostrar as línguas bífidas e a cuspir venenos.
João trabalha nove horas por dia, é casado e tem duas filhas. Ganha 500 euros mensais mais 100 euros que passam por debaixo da mesa. A sua mulher é pau para toda a obra. As suas filhas partilham as roupas, o que não serve a uma tem de servir à outra, custe o que custar. Só de renda do apartamento paga 350 euros batidinhos, fora os 25 de condomínio e os 60 euros dos acertos de água e luz.
João está proibido de adoecer, João está proibido de atestar o depósito do carro, de ir lanchar ao domingo à tarde, está proibido de sonhar com novas tecnologias lá para casa. João consome os produtos mais baratos, não come fruta da época, poupa as camisas para não ter de investir, gasta um xis por cento em raticidas, vitaminas e Nimedes para a carola, etc. Agora digam lá se o Estado tem piedade de nós, se há ou não uma mão sorrateira que vem por trás e nos empurra.
Não apregoo lamecharias, mas sim, exigir o respeito e a seriedade - objectores de consciência. Não pode haver mas nem meio mas. Sermos HOMENS na totalidade não é uma exigência: é uma promessa de vida que Deus não teve culpa de assinar às escuras.

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