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A Voz do Minho
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Doente são- 2
Escrito por: Flávio Silver

Fui aconselhado por curandeiros e lançadores recordistas de Búzios para que eu perca o hábito de ser caridoso social. uma vez que, a situação poder-se-á agravar e haver risco de contagiar toda a humanidade e, vejam lá o azar, de sopapos e pontapés, passarmos todos a ser uma tribo de caridosos: estar numa fila de tânsito e nem sequer buzinar, ir ao talho e dar a vez a uma velhinha que mal se segura nas canetas, o F.C. do porto perder quatro jogos seguidinhos e os adeptos ferrunhentos dizerem " perder ou ganhar é desporto", sem colocar neologismos na mãe deste ou na mãe daquele. já está a imaginar as duras consequências se este vírus que eu tenho se propagar por estas mentes adiante. seria a pior peste que Deus jamais deitou ao mundo.
Um dia, um senhor rico, de sapato envernizado, camisete com um crocodilo no bolso, estava em apuros porque o seu Jaguar não pegava e eu, como tenho esta doença de entreajuda, corri imediatamente para o ajudar em tudo o que fosse preciso. nem que tivesse que empurrar o seu carrinho novo com os dentes. ele olhou-me de suspeito desagrado mas, como eu tenho que cumprir os meus votos-mais-que-sagrados de socorrer todo e qualquer Ser deste planeta, mesmo aqueles não que ligam patavina às questões da moralidade, aproximei-me dele com a minha pena habitual e tratei logo de oferecer o meu corpo todo para empurrrar o carro por uma rua meia a subir. sujei-me todo, fiquei com marcas vermelhas na pele mas valeu a pena. o carro pôs-se logo a trabalhar e, foi tão giro ver aquele lindo Jaguar seguir a estrada sem que o condutor, aquela rica pessoa, não me levantasse um braço para um adeus. fiquei com a sensação que tinha cumprido mais uma tarefa e assim manter o meu curriculo exemplar.
O problema é que depois este meu espírito de fraternidade agravou-se de tal forma que hoje de manhã, um senhor muito bem formado, de aneis bem reluzentes, chegou ao pé da mesa onde eu estava a ler um livro de cariz religioso, pediu-me um cigarro. claro que lhe ofereci de pronto o cigarro, até o meti na boca, inclusive. depois pediu-me lume para o acender e, num gesto sincopado, pus-lhe o cigarro aceso, deixando que este, encobrisse o lugar com uma névoa espessa. voltei à leitura. o homem não saiu da área e, ainda com o cigarro na metido nas beiças, pediu-me outro cigarro.
Mais uma vez cumpri os meus votos caridosos e dei-lhe então mais um cigarro ao que ele meteu no bolso sem agradecer. voltei à leitura com uma leveza maior por ter realizado a minha vocação. poucos minutos depois, o homem bateu-me nas costas e pediu-me mais um cigarrrinho para o fim do almoço. olhei-o como nunca tinha olhado para ninguém, rangi os dentes com a misericórdia que me é reconhecida, fiz um círculo com a cabeça e estalaram-se-me os ossos do pescoço e disse-lhe: você não sabe que o tabaco mata?! ao que ele de num click rápido me respondeu: por isso mesmo!, é que eu ando há vários anos a tentar um lento suicídio.
Depois riu-se, exibindo dois dentes de ouro que tinha no final da boca. pus a mão direita na perna esquerda para ela parar de tremer, o sol da rua já me parecia noite, já não quis saber de livro para nada mas ainda assim disse-lhe em tom de humanista: pegue lá o maço todo e vá morrer longe! ainda antes de nos despedirmos, dei-lhe um pontapé no cu e, ainda hoje fico a pensar se a minha fraca sina não advém daquele gesto. bem, susperstições à parte: tirando os meus pés e as minhas mãos, de resto sou todo crente. Ámen.
Um dia, um senhor rico, de sapato envernizado, camisete com um crocodilo no bolso, estava em apuros porque o seu Jaguar não pegava e eu, como tenho esta doença de entreajuda, corri imediatamente para o ajudar em tudo o que fosse preciso. nem que tivesse que empurrar o seu carrinho novo com os dentes. ele olhou-me de suspeito desagrado mas, como eu tenho que cumprir os meus votos-mais-que-sagrados de socorrer todo e qualquer Ser deste planeta, mesmo aqueles não que ligam patavina às questões da moralidade, aproximei-me dele com a minha pena habitual e tratei logo de oferecer o meu corpo todo para empurrrar o carro por uma rua meia a subir. sujei-me todo, fiquei com marcas vermelhas na pele mas valeu a pena. o carro pôs-se logo a trabalhar e, foi tão giro ver aquele lindo Jaguar seguir a estrada sem que o condutor, aquela rica pessoa, não me levantasse um braço para um adeus. fiquei com a sensação que tinha cumprido mais uma tarefa e assim manter o meu curriculo exemplar.
O problema é que depois este meu espírito de fraternidade agravou-se de tal forma que hoje de manhã, um senhor muito bem formado, de aneis bem reluzentes, chegou ao pé da mesa onde eu estava a ler um livro de cariz religioso, pediu-me um cigarro. claro que lhe ofereci de pronto o cigarro, até o meti na boca, inclusive. depois pediu-me lume para o acender e, num gesto sincopado, pus-lhe o cigarro aceso, deixando que este, encobrisse o lugar com uma névoa espessa. voltei à leitura. o homem não saiu da área e, ainda com o cigarro na metido nas beiças, pediu-me outro cigarro.
Mais uma vez cumpri os meus votos caridosos e dei-lhe então mais um cigarro ao que ele meteu no bolso sem agradecer. voltei à leitura com uma leveza maior por ter realizado a minha vocação. poucos minutos depois, o homem bateu-me nas costas e pediu-me mais um cigarrrinho para o fim do almoço. olhei-o como nunca tinha olhado para ninguém, rangi os dentes com a misericórdia que me é reconhecida, fiz um círculo com a cabeça e estalaram-se-me os ossos do pescoço e disse-lhe: você não sabe que o tabaco mata?! ao que ele de num click rápido me respondeu: por isso mesmo!, é que eu ando há vários anos a tentar um lento suicídio.
Depois riu-se, exibindo dois dentes de ouro que tinha no final da boca. pus a mão direita na perna esquerda para ela parar de tremer, o sol da rua já me parecia noite, já não quis saber de livro para nada mas ainda assim disse-lhe em tom de humanista: pegue lá o maço todo e vá morrer longe! ainda antes de nos despedirmos, dei-lhe um pontapé no cu e, ainda hoje fico a pensar se a minha fraca sina não advém daquele gesto. bem, susperstições à parte: tirando os meus pés e as minhas mãos, de resto sou todo crente. Ámen.
Por: José - 20Out2007 12:38:33
Um dia perguntei ao mundo:
Quem nunca pecou que atire a primeira pedra
E hoje, fruto da evolução digo:
Quem nunca pecou muito que atire o primeiro calhau ...
Ps: Ler a teoria-dos-calhaus já está a tornar-se o cigarrinho das horas em que apetece um cafézinho. Ah o meu carro novo é um Leopardo e anda a rato.
Quem nunca pecou que atire a primeira pedra
E hoje, fruto da evolução digo:
Quem nunca pecou muito que atire o primeiro calhau ...
Ps: Ler a teoria-dos-calhaus já está a tornar-se o cigarrinho das horas em que apetece um cafézinho. Ah o meu carro novo é um Leopardo e anda a rato.
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