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- Querido, sabes onde é que pus o livro "Como viver 100 anos"?
- Desculpa, escondi-o. Não posso deixar que a tua mãe o leia.
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A Voz do Minho
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Há coisas incríveis, não há?- 0
Escrito por: Flávio Silver
Gostaria de ser um pouco Rambo. não pelos seus cabelos cónicamente bem desenhados, nem pela sua musculatura aminoácida. mas sim pelo jeito (isto soa-me a brasileiro) como ele consegue se escapar de não sei quantos disparos, ileso. posso imaginar agora, assim de repente, como é que seria se eu por exemplo, fosse à ilha da madeira e fizesse um protesto sobre a péssima forma como canta e discursa o alberto joão jardim. claro que tinha de correr muito para salvaguardar a minha pele. já se sabe que a ilha é só para turismo, qualquer graçola mais à esquerda, está-se sujeito a consequências pouco recomendadas. mas, era giro. admito que era giro se eu por umas horas fosse um Rambo e, entrasse lá na ilha da madeira com ideias novas, com panfletos a reinvindicar direitos iguais, denunciar de vez a maldita pedófilia, acabar com os barões, com os lobbies daquela cintilante aparência. é fácil calcular que mal abrisse a boca, tinha logo a nossa estimada G.N.R. com os bastões açirrados, apontados ao meu corpo moreno deste verão. mas o que eles não sabem, é que hoje, sou Rambo. portanto, nada, nadinha, me fará ter receio de meia dúzia de chicotadas lá na prisa. sendo assim, aguento tudo. como boina verde que sou, levarei o meu lema até às últimas instâncias: acabar com a falta de opinião, mostrar o outro lado da ilha - que nem tudo é sol e mar.
Já se sabe que a ilha da madeira é como os tapetes de algumas câmaras municipais: o lixo fica sempre por debaixo, até que alguém descubra. mas aí, já não foi ninguém. o importante é que hoje sou Rambo, não uso fita vermelha em volta da cabeça, não tenho voz rouca mas, isso é o menos. o mais, é que posso cumprir desejos, abrir os olhos ao povo, pintar a bandeira de outra cor, apontar o dedo aos perseguidores, que tenho sempre um cavalo que me vai ajudar a fugir e, para trás, depois da poeira levantada pelo galope, o povo aplaudindo, desejando o meu regresso imediato, rezando todas as noites já que eu não apareço em cena, que venha um Zorro moderno e tire o ouro, as hipotecas, que construa casas de habitação para os pobres nos campos de golfe, denunciar as suspeitosas licenças de construcção, acabar com o betão armado e prevelegiar os madeirenses que no fundo, no fundo, são estrangeiros- já que as leis de cá não são as de lá. ufa! está a ver que não chegava o ponto final. isto de ser Rambo tem muito que se lhe diga: é muita responsabilidade! mais vale ser Zé do telhado e andar por aí a roubar figos a Figos.
Já se sabe que a ilha da madeira é como os tapetes de algumas câmaras municipais: o lixo fica sempre por debaixo, até que alguém descubra. mas aí, já não foi ninguém. o importante é que hoje sou Rambo, não uso fita vermelha em volta da cabeça, não tenho voz rouca mas, isso é o menos. o mais, é que posso cumprir desejos, abrir os olhos ao povo, pintar a bandeira de outra cor, apontar o dedo aos perseguidores, que tenho sempre um cavalo que me vai ajudar a fugir e, para trás, depois da poeira levantada pelo galope, o povo aplaudindo, desejando o meu regresso imediato, rezando todas as noites já que eu não apareço em cena, que venha um Zorro moderno e tire o ouro, as hipotecas, que construa casas de habitação para os pobres nos campos de golfe, denunciar as suspeitosas licenças de construcção, acabar com o betão armado e prevelegiar os madeirenses que no fundo, no fundo, são estrangeiros- já que as leis de cá não são as de lá. ufa! está a ver que não chegava o ponto final. isto de ser Rambo tem muito que se lhe diga: é muita responsabilidade! mais vale ser Zé do telhado e andar por aí a roubar figos a Figos.

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