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A Voz do Minho
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Carolindeza, você vem de certeza?!- 0
Escrito por: Flávio Silver
De cotovelos na secretária, a janela semi-aberta a deixar passar fracções de vento: sinto-me operacional. um sumo de laranja ou uma batida de goiaba vinha a calhar. estou visitando mundos interiores. o portátil à minha frente oferece-me um licor, aceito. por ele, naveguei em chats nunca dantes navegados. fui Viriato de descobertas internáuticas. conheci mundos num ecran de cerca de quinze polegadas. falei com mulheres que nem sei seus verdadeiros nomes ou idades. sons multicores, slogans de publicidade invadem meu domingo calmo. alguém me veio bater à porta do mensageiro com um nickname que desconheço: uma tal de carol que eu suponho chamar-se carolina.
Hesito: se cliko ou não. o meu dedo indicador sobre o rato diz-me que não vale a pena entrar em diálogos, mas, o meu pensamento, esse, diz-me que sim, que não tenho nada a perder. então, assumo o risco e dou licença a quem quer que esteja do outro lado da linha. começa por me dar um olá e com um smille a acompanhar o texto. e, como é hábito nestas rotinas, agradeço-lhe a simpatia e devolvo-lhe um sorriso de igual formato. depois, vieram as perguntas banais: de onde és, de onde não és, quantos anos tens, se já namoras ou se estás estás arrumado, etc. enfim, o questionário do costume que só serve para distrair e fumar um ou dois cigarros, enquanto o tempo lá fora vai sumindo muito devagar.
Os dedos escrevem automaticamente sem ligar a vírgulas ou questões gramaticais - tudo serve para debitar o que se quer e o que não se quer dizer. depois, pergunta-me se gosto de cinema, se fui à estreia do piratas das caraíbas 3. não sei se existe alguma espécie de adivinhos neste espaço cibernético mas, interroguei-me, como é que ela acertou que eu sou cinéfilo e que não falho uma estreia! que sorte a minha, tinha agora um ponto em comum com alguém que eu desconheço. de seguida, falámos sobre outros títulos de filmes, de realizadores favoritos, que o melodrama é o nosso tipo de cinema preferido, etc.
Conclusão, estive não sei quantas horas em frente ao plasma, teclando, a querer saber sempre um pouco mais sobre aquela rapariga que me veio bater à porta do mensageiro. tudo seria como das outras vezes em que lhe diria xau, até à próxima vez, se acaso ela não tivesse tantas e muitas afinidades comigo. não tinha dúvida, aquela pessoa que está noutro computador, noutra parte do mundo, noutro quarto, tem um gene idêntico ao meu. ao fim de tantas horas convertidas em alegrias e sensações pouco habituais, ela disse-me que tinha o jantar na mesa e tinha que descer e eu, só tive tempo de lhe enviar um beijo ao qual não obtive resposta. ela tinha desligado a internet!
Nos dias que se seguiram, pensava nela, embora não tivesse uma imagem dela, tentava imaginar a sua face, o seu corpo todo mas, a imaginação falhava-me. acordava de noite para ligar o computador e espreitar o correio electrónico a ver se ela tinha deixado alguma mensagem. nada. de repente tudo se ofuscou. a carol nunca mais entrou pelo meu computador adentro. depois de nada acontecer, o meu coração começou a apertar, tal porca num parafuso, o meu estado de calma deu a vez a calafrios, a sonos interrompidos por excessos de suores inexplicáveis. comecei por faltar ao emprego, desconsiderei a minha fome, apertei várias vezes o meu pescoço com as minhas próprias mãos.
Queria que a carol viesse ter de novo ao meu computador, falar-me da sua aldeia e da estreia de sábado à noite. era sempre nula a sua presença. sempre nula. até que um dia, outra rapariga entrou-me no mensenger e, sem novidade, disse-me: oi!
olhei para as duas letrinhas, duas vogais aparentemente inofensivas e, sem demoras, enviei-lhe o seguinte texto: gostas de cinema? ela respondeu-me assim: :). dois pontos e um fechar de circunferência. pensei. calculei o passo seguinte e, como os sonhos trazem os seus enganos, guiei o cursor até ao canto superior do ecran e, fechei a página. agora, depois de curada a ressaca espiritual, navego na internet só por minha conta, mas, quem quiser entrar no meu veleiro, tem que deixar contacto para aprovação de amizade. só assim, nada mais!
Hesito: se cliko ou não. o meu dedo indicador sobre o rato diz-me que não vale a pena entrar em diálogos, mas, o meu pensamento, esse, diz-me que sim, que não tenho nada a perder. então, assumo o risco e dou licença a quem quer que esteja do outro lado da linha. começa por me dar um olá e com um smille a acompanhar o texto. e, como é hábito nestas rotinas, agradeço-lhe a simpatia e devolvo-lhe um sorriso de igual formato. depois, vieram as perguntas banais: de onde és, de onde não és, quantos anos tens, se já namoras ou se estás estás arrumado, etc. enfim, o questionário do costume que só serve para distrair e fumar um ou dois cigarros, enquanto o tempo lá fora vai sumindo muito devagar.
Os dedos escrevem automaticamente sem ligar a vírgulas ou questões gramaticais - tudo serve para debitar o que se quer e o que não se quer dizer. depois, pergunta-me se gosto de cinema, se fui à estreia do piratas das caraíbas 3. não sei se existe alguma espécie de adivinhos neste espaço cibernético mas, interroguei-me, como é que ela acertou que eu sou cinéfilo e que não falho uma estreia! que sorte a minha, tinha agora um ponto em comum com alguém que eu desconheço. de seguida, falámos sobre outros títulos de filmes, de realizadores favoritos, que o melodrama é o nosso tipo de cinema preferido, etc.
Conclusão, estive não sei quantas horas em frente ao plasma, teclando, a querer saber sempre um pouco mais sobre aquela rapariga que me veio bater à porta do mensageiro. tudo seria como das outras vezes em que lhe diria xau, até à próxima vez, se acaso ela não tivesse tantas e muitas afinidades comigo. não tinha dúvida, aquela pessoa que está noutro computador, noutra parte do mundo, noutro quarto, tem um gene idêntico ao meu. ao fim de tantas horas convertidas em alegrias e sensações pouco habituais, ela disse-me que tinha o jantar na mesa e tinha que descer e eu, só tive tempo de lhe enviar um beijo ao qual não obtive resposta. ela tinha desligado a internet!
Nos dias que se seguiram, pensava nela, embora não tivesse uma imagem dela, tentava imaginar a sua face, o seu corpo todo mas, a imaginação falhava-me. acordava de noite para ligar o computador e espreitar o correio electrónico a ver se ela tinha deixado alguma mensagem. nada. de repente tudo se ofuscou. a carol nunca mais entrou pelo meu computador adentro. depois de nada acontecer, o meu coração começou a apertar, tal porca num parafuso, o meu estado de calma deu a vez a calafrios, a sonos interrompidos por excessos de suores inexplicáveis. comecei por faltar ao emprego, desconsiderei a minha fome, apertei várias vezes o meu pescoço com as minhas próprias mãos.
Queria que a carol viesse ter de novo ao meu computador, falar-me da sua aldeia e da estreia de sábado à noite. era sempre nula a sua presença. sempre nula. até que um dia, outra rapariga entrou-me no mensenger e, sem novidade, disse-me: oi!
olhei para as duas letrinhas, duas vogais aparentemente inofensivas e, sem demoras, enviei-lhe o seguinte texto: gostas de cinema? ela respondeu-me assim: :). dois pontos e um fechar de circunferência. pensei. calculei o passo seguinte e, como os sonhos trazem os seus enganos, guiei o cursor até ao canto superior do ecran e, fechei a página. agora, depois de curada a ressaca espiritual, navego na internet só por minha conta, mas, quem quiser entrar no meu veleiro, tem que deixar contacto para aprovação de amizade. só assim, nada mais!

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