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Certo dia ía uma formiga a passear pela linha do comboio quando de repente ficou com uma perna trilhada entre dois carris. Ouviu um barulho e quando olhou viu que o comboio se aproximava. Começou a puxar a perna, puxou, puxou... o comboio cada vez mais próximo, a perna estava muito presa, o comboio mais perto...
- Olha que se lixe, se descarrilar, descarrilou!...
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A Voz do Minho
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estranhos momentos- 3
Escrito por: Flávio Silver
Caí do céu, mas garanto que não me quebrei. esta dor no joelho já é antiga e não tem nada a ver com o caso. para lá das nuvens, o desconhecido passou a ser conhecido perante estes meus dois olhos mal colocados nas órbitras, mas que nunca me deixam enganar. vi coisas fabulosas que eu nem eu sei porque ponta hei-de pegar. bebi milhões de gigas de memória que não dá para esclarecer no momento. havia seres de duas e três cabeças agarradas a um só pescoço. eu era o único que tinha e tem uma só cabeça. por tal diferenciação de factos biológicos, os seres olhavam-me sem respeito e riam-se na minha cara. Venho do sul da galáxia fique sabendo, vi astro-naves sobrevoando a cinco palmos da minha cabeça.
os seres eram roxos e não verdes como nós dizemos. no fundo de uma avenida havia um tasco. repleto de seres nunca imaginados. entrei. pedi um copo de branco. quis uns tremoços para acompanhar mas não havia. havia outra coisa parecida no aspecto. o sabor era estranho mas agradável. na mesa do fundo estava um velho de longas barbas. perguntei ao taberneiro quem era. ele respondeu: é deus: eu exclamei: o todo poderoso?. sim! devolveu ele a minha admiração. tinha deus ali a dez passos de mim. ele estava para ali quase a dormir. aproximei-me. aproximei-me mais. quase a pisar-lhe um dos pés. ele fez de conta não reparar. depois de uns segundos, moveu seus olhos na minha direção.
no sítio dos olhos não havia olhos mas sim uma luz amarela e azul. hesitei. pensei em recuar mas mostrei coragem. afinal deus compreende. disse-lhe qualquer coisa que agora não me lembro. ele não respondeu. chamei-lhe a atenção dos casos de corrupção e violação cá na terra. voltou a não responder. ofereci-lhe um copo e aí ele logo aceitou. pedi ao taberneiro dois copos de vinho. este riu-se. estranhei. voltei a pedir. voltou a sorrir mas lá trouxe o que tinha pedido. deus convidou-me a sentar. sentei-me sem hesitar. afinal muitas questões podia ali colocar na maior das distracções.
o taberneiro poisou os copos na mesa e saiu com ar de parvo. estranhei. bebi um gole grande e arrotei baixinho mas ainda assim pedi perdão. perguntei ao velho por que é que ele não resolve as coisas do nosso país. ele não respondeu. fiz montes e montanhas de perguntas do género e ele continuava a não responder. estaria eu a chateá-lo? comecei por me cansar. o velho não provara o vinho sequer. o taberneiro continuava-se a rir. chamei-lhe palerma na voz interior. não percebia patavina do que se passava. às tantas aquele velho não era deus mas sim um fulano qualquer a ressacar de remédios.
afinal o parvo era eu em estar para ali com coisas sem tino nem destino. pedi a conta ao taberneiro. queria sair dali. ele veio um rápido. disse-me quanto era e eu paguei certinho. antes de me levantar perguntei ao taberneiro se o velho era sempre assim tão calado. esquisito. ele respondeu: é que deus além de ser abstémio, deve estar com o espírito noutra parte do mundo. a ajudar os pobrezinhos. sabe. leventei-me e disse-lhe bem alto: vá gozar o caralho! nisto, o velho acordou, olhou para mim e disse-me com voz de trovão: tu és português não és?. achei inútil a perguntei mas disse-lhe que era. ah! eu logo vi! e então porquê meu velho? porque os portugueses estâo sempre à espera que um milagrezinho aconteça para a coisa mudar. desde que ganhe o benfica está tudo bem.
pensei em desafiar o velho lá para fora mas ainda bem que o taberneiro se meteu no meio porque a coisa ia pegar. levantei-me. já estava na rua e começou a chover. quis abrigar-me mas a chuva acompanhava-me sempre. mesmo debaixo de telhados não parava de chover. enquanto que fora do círculo da minha sombra, um sol raiava no seu elevado esplendor. ou seja, só chovia no meu corpo. olhei para o céu e disse: isso não se faz! você também tem que saber perder!
ainda ontem por estranho que pareça , numa rua do porto, vi um velho de longas barbas. pediu-me uma esmola. e, o meu coração bom sobrepôs-se a tudo o que penso. deI-lhe uma esmola mais ou menos. ele agradeceu-me e fez-me um sinal da cruz. agora sempre que chove, ou por milagre ou delinquência minha, nunca a minha roupa, as minhas mãos ficam expostas às fortes chuvadas.
enfim, Deus perdoa tudo, até os seus próprios erros.
os seres eram roxos e não verdes como nós dizemos. no fundo de uma avenida havia um tasco. repleto de seres nunca imaginados. entrei. pedi um copo de branco. quis uns tremoços para acompanhar mas não havia. havia outra coisa parecida no aspecto. o sabor era estranho mas agradável. na mesa do fundo estava um velho de longas barbas. perguntei ao taberneiro quem era. ele respondeu: é deus: eu exclamei: o todo poderoso?. sim! devolveu ele a minha admiração. tinha deus ali a dez passos de mim. ele estava para ali quase a dormir. aproximei-me. aproximei-me mais. quase a pisar-lhe um dos pés. ele fez de conta não reparar. depois de uns segundos, moveu seus olhos na minha direção.
no sítio dos olhos não havia olhos mas sim uma luz amarela e azul. hesitei. pensei em recuar mas mostrei coragem. afinal deus compreende. disse-lhe qualquer coisa que agora não me lembro. ele não respondeu. chamei-lhe a atenção dos casos de corrupção e violação cá na terra. voltou a não responder. ofereci-lhe um copo e aí ele logo aceitou. pedi ao taberneiro dois copos de vinho. este riu-se. estranhei. voltei a pedir. voltou a sorrir mas lá trouxe o que tinha pedido. deus convidou-me a sentar. sentei-me sem hesitar. afinal muitas questões podia ali colocar na maior das distracções.
o taberneiro poisou os copos na mesa e saiu com ar de parvo. estranhei. bebi um gole grande e arrotei baixinho mas ainda assim pedi perdão. perguntei ao velho por que é que ele não resolve as coisas do nosso país. ele não respondeu. fiz montes e montanhas de perguntas do género e ele continuava a não responder. estaria eu a chateá-lo? comecei por me cansar. o velho não provara o vinho sequer. o taberneiro continuava-se a rir. chamei-lhe palerma na voz interior. não percebia patavina do que se passava. às tantas aquele velho não era deus mas sim um fulano qualquer a ressacar de remédios.
afinal o parvo era eu em estar para ali com coisas sem tino nem destino. pedi a conta ao taberneiro. queria sair dali. ele veio um rápido. disse-me quanto era e eu paguei certinho. antes de me levantar perguntei ao taberneiro se o velho era sempre assim tão calado. esquisito. ele respondeu: é que deus além de ser abstémio, deve estar com o espírito noutra parte do mundo. a ajudar os pobrezinhos. sabe. leventei-me e disse-lhe bem alto: vá gozar o caralho! nisto, o velho acordou, olhou para mim e disse-me com voz de trovão: tu és português não és?. achei inútil a perguntei mas disse-lhe que era. ah! eu logo vi! e então porquê meu velho? porque os portugueses estâo sempre à espera que um milagrezinho aconteça para a coisa mudar. desde que ganhe o benfica está tudo bem.
pensei em desafiar o velho lá para fora mas ainda bem que o taberneiro se meteu no meio porque a coisa ia pegar. levantei-me. já estava na rua e começou a chover. quis abrigar-me mas a chuva acompanhava-me sempre. mesmo debaixo de telhados não parava de chover. enquanto que fora do círculo da minha sombra, um sol raiava no seu elevado esplendor. ou seja, só chovia no meu corpo. olhei para o céu e disse: isso não se faz! você também tem que saber perder!
ainda ontem por estranho que pareça , numa rua do porto, vi um velho de longas barbas. pediu-me uma esmola. e, o meu coração bom sobrepôs-se a tudo o que penso. deI-lhe uma esmola mais ou menos. ele agradeceu-me e fez-me um sinal da cruz. agora sempre que chove, ou por milagre ou delinquência minha, nunca a minha roupa, as minhas mãos ficam expostas às fortes chuvadas.
enfim, Deus perdoa tudo, até os seus próprios erros.

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