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A Voz do Minho
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Escrito por: Flávio Silver
Ainda as notícias não arrefeceram e já o povo comenta. Junta-se as gentes em semi-circulo rente aos quiosques cujos jornais presos por molas de roupas como estendais, pingam desinterias, gripes e desempregos, exibem seus cabeçalhos de letras gordas em notícias de magra surpreendência. Comenta-se o jackpot que saiu, falam de chaves numéricas supra-imaginadas e a fezada de conquistadores.
Outros vão dizendo que lhes bastaria um 2º prémio para ajudar os velhinhos, que nunca perderiam as simplicidades e davam uma esmola a cada pobre (a teoria é sempre a mesma, na prática olham para o céu e dizem: " eu estava a brincar!").Uma mentirinha é sempre perdoável, negociável. Os actores do cinema lá fora, as actrizes de curvaturas exemplares em furtivos enlaces, o vilão da série, são estripados pelas línguas de sonho tinhoso que dará depois um bom começo de dia.
O défice, a carroça do país, a cambalhota dos operários! blá blá blá, as mentes não usam este tipo de reportório pelas ruas, puxar o sensível não está pela conta da alma. Logo à noite, depois de uns tintos, talvez caiba na mesa um comentário mais triste.
Mulheres nuas nos magazines? Sim!
O camião que riscou o alcatrão e voou para a berma levando quatro cabeças, os gemidos dos africanos, etecetera, não vão certamente estragar o dia à malta que anda de jardim em jardim assistindo ao desfecho de uma flor com penicos para aparar as lágrimas. (desculpem-me se perante esta banalidade eu seja excessivamente poético).
Outros, que não vale a pena aqui denunciar, compram o jornaleco de tinta fresca maltratada nas gráficas, dobram-no e apertam-no no calor do sovaco sem saberem que transportam o peso de milhentas consciências. Os diários, os matutinos têm esta magia de reciclar as dores em cócegas para garantir o despacho da tiragem.
E o Zé da esquina que dança hip-hop com as muletas?!
E a fulana que faz plantações no umbigo?!
E o contorcionista que assim ficou?!



















