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A Voz do Minho

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direitos de autor



Escrito por: Flávio L. Silva

Do mundo entendo as pequenas coisas, os objectos

deixados ao esquecimento das ruas, a casa aberta por cima, as rosas

inclinadas para o pavor, o truque falhado do ilusionista.

 

Algures o silêncio forma o seu arquipélago, enche os poços

de ruínas e outros espasmos. Num grito

acerto o relógio da torre, mato a tirania dos gestos,

e o mundo

espanta-se com o tamanho da minha ausência

 



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Escrito por: Flávio Silver
04.Dezembro.08

21:30h | Auditório do Museu de Olaria - Barcelos

MÚSICA |  The Partisan Seed

Entrada: 3€ | Estudantes: 2€ | Sócios: gratuito

 

 

 + Info em:

 

 

 

Contactos e Informações:

AMIMUOLA – Amigos do Museu de Olaria

Rua Cónego Joaquim Gaiolas – 4750 – 306 Barcelos

Telefone: 253.824741 | E.mail: amimuola@gmail.com

+info: www.chadasquintas.blogspot.com  | www.amimuola.blogspot.com



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Escrito por: Flávio L. Silva

PRIMEIRA PARTE

 

Um cientista é um cientista

Mas um poeta é um poeta!

 ... ... ... ... ... ...

um mundo feliz

é composto por sol e água

 ... ... ... ... ... ...

Não desistas: cinquenta mil homens dependem de ti!

 ... ... ... ... ... ...

Troco poemas por cigarros

E o gozo que isso me dá!

 ... ... ... ... ... ... ...

É com a cabeça dentro do poço que se escuta o avanço do mar

 ... ... ... ... ... ... ...

Se a noite é uma mulher como lhe pegar na cintura?

Que ilusionista tira o céu de uma cartola?

 ... ... ... ... ... ... ...

a noite é o espelho em que me demoro e retoco a farsa

para o dia de amanhã

... ... ... ... ... ... ... .. ... ... .. .... .... ... ... ..

Estou condenado mas canto

A guilhotina está pronta

As lâminas afiadas com um brilho genial

O carniceiro aquecendo as mãos

Não vá ele falhar o golpe

Peço um último desejo

Que é um Direito meu e está na Carta dos Homens

As crianças devem sorrir sem pagar mensalidade

Os banqueiros que não tentem!

 

flávio lopes da silva

 

 

 



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Escrito por: Flávio Silver

memorias_a_vapor_teatro_oficina.jpg

Quarta, 26 a Sexta, 28 de Novembro - 22h00
Domingo, 30 de Novembro - 17h00
Teatro
Memórias de uma máquina a vapor
Teatro Oficina

Espaço Oficina
Preço: €7,50/€5,00

“Memórias de uma máquina a vapor” é um projecto teatral escrito a partir de materiais encontrados na cidade de Guimarães. Objectos abandonados, textos resgatados das ruas, notas escritas e deixadas à sorte deram o conteúdo a esta peça.

A visão de uma cidade através do perdido e do achado. Uma pergunta sobre as relações de pertença com aquilo que encontramos e aquilo que abandonamos.

Alberto Villarreal tem uma trajectória vertiginosa no México, junto do público, dos meios de comunicação e da crítica. Fundador da Companhia Artillería, um dos grupos mais representativos do teatro contemporâneo mexicano, já encenou mais de 30 espectáculos tendo sido convidado para diversos Festivais em todo o mundo.

Com Andreia Macedo, Diana Sá, Cátia Pinheiro, Emílio Gomes
Encenação Alberto Villarreal
Assistência de encenação e coreografia Leonor Zertuche
Cenografia e figurinos Fernando Ribeiro
Iluminação Pedro Carvalho
Produção executiva Teatro Oficina

M/12

 



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Escrito por: Flávio Silver

FORA-LHE DIAGNOTICADO CHUVA
chovia dentro do seu corpo como típico novembro
folhas tristes: caranguejos em sobressaltos

frutos envenenados luziam em fogo posto nos cabelos
amores caiam-lhe aos cachos
e os ratos vinham por aí
construir seus reinos
seus rios que vão dar às omoplatas

o bruxo mandou o doente se retirar
suas unhas luziam como pérolas extraídas do sono
qualquer coisa fenomenal
sangue que não nega o corpo: música lírica derretendo aço

e o doente entristeceu-se
suas memórias vasculhadas a martelo
olhar de mocho a controlar os movimentos
do braço que fura o fogo
do peito que recebe fracas notícias por uma rameira

olha o tempo com imperfeição
uma gangrena escorre limpa e serena
sete bichos acampados no crânio esperam
a intermitência
há tanto a traduzir e ninguém é capaz

chove por dentro dele
sua carne ensopada ofusca o vitral
e quem se rir terá a sua chuva pela certa

devemos concluir o vector da existência
correr o fecho das galáxias para não mais
completar o século com os vulcões vazios
depois subir
com a calma de uma velhice
num suicídio
que demora a procriar

o que é o cérebro se não escuro
tinta que sobra das plantas comilonas

funerais só depois das nove da noite
que é quando o brilho assa e o morto comporta-se como morto
a demência não entra na tributação
nos cálculos da primavera
outono sim
é mês de cozer o pão entre as palmas das mãos
uma casa possessiva com ataques de nervos

e por que cai água nos regos cerebrais
O louco nada pelo ar em movimento de gibóia
Lento
Comprometedor
Como quem afasta o lodaçal com as arestas dos braços
Afiadas
Bilhantes como tudo que ilumina a gota


Chamam-lhe palhaço
Sorriso de alicate
Infiltra-se a chuva por dentro de alguém
Amamenta a loucura com sémen da sua paz
E dobra-se
Desta vez não espera pelos deuses à saida da taberna

Fecha-se em guarda-chuva – na sua verdade
Reparando feridas com o maçarico dos sonhos –
Intermitência - mas hoje ele não vai ganhar.


oiça pela voz de Luis Gaspar:
http://www.estudioraposa.com/audio/lugar_95_flavio_lopes_silva.mp3

visite:
www.teoriadoscalhaus.blogspot.com



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Escrito por: Flávio Silver

 

Mãe, se eu fosse pastor haveria de dar um nome a cada pedra deste caminho

Mãe, se eu fosse vento arrastava a miséria para a cova mais funda

Mãe, se eu fosse flor daria pétalas que seria como pão de boca em boca

Mãe, se eu fosse presidente o pai não seria mandado para Longe

Mãe, se as minhas orações fossem atendidas o mar não banhava a nossa casa

Mãe, se sonhar fosse mais que um sonho a minha irmã festejava hoje os seus vinte anos

Mãe, se eu pudesse ser hoje homem duro cobrava o sangue que nos foi roubado

Mãe, achas que o silêncio tem vocação animal?

Achas que a força é um monstro que se domestica?
Diz-me como se alcança o azul fluorescente

Fala-me da amoreira que fecundou lindas meninas

Pode o silêncio ser combatido com raticidas?

Mãe, o pai disse que vinha já e não veio, lembras-te?

Por que é que hoje não há cheiro a bolo de chocolate e não me tocas no cabelo?

Mãe, o que significa a bandeira preta?

Por que é que te finges morta?

Mãe, mãe, mãe!



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Escrito por: Flávio Silver

Como se o sol lhe dissesse: vem daí para a minha beira!

Como se pelo buraco do peito avistassesse o pântano espiritual

Mete-se a mão e zás!, recollhemos o amor em bagos

Depois espanta-se com a cara de quem vê o preço do branco a subir

E fica-se a saber porque dói o silêncio

ou o ferro quente não engoma o pêlo do lobo

 

Como se a tempestade fizesse arrasar a colheita de sangue

Como se o jejum dobrasse a forquilha à felicidade

O amor bem que podia dar meninas pelo quintal

Regadas com suor de flores

Prata líquida percorrendo o pescoço – a maravilha da pétala

 

O homem sentou-se.

Triste e absorto. Mimando uma lâmina usada.

Nunca beijara a face aberta de uma mulher

 

Tem por uso plantar cactos no quintal

E dos espinhos santifica-se

Com o dedo na terra alimenta a oração

 

Os olhos como faróis. Ou vice-versa

Escorre o veneno pela luz vinda do solo

Jaz a música no cântaro abandonado

O fogo estala ante a carne borealesca

A solidão escapa-se do gavetão-memória

Tecidos podres

Podres tecidos

  vestígios de alma que esperam pendulares

 

A morte é um veículo veloz que segue sempre na auto-estrada

No poço todos os murmúrios são cantos de galinha

Ó que zumbie tão estridente é o mar!

O Homem tem as plantas como seu tesão

A gravidade está prestes a ser um feno comido pelos bois

E a certeza é que debaixo da pele: um fogo-posto

 

Como se a matéria fogo nos viesse dar novo baptismo

Como se o relojoeiro argolasse o tempo à cadela que dorme no prédio

Investir na vida não é preciso saber

para que lado

é que se há-de morrer

 

Ao contrário da morte a vida é um equívoco raro: o momento em que o carneiro se despe catedraticamente

Perguntem a este homem

Gélido

Putrefacto

Electro-iluminado

Que ressuscita a cada minuto num coágulo de sangue fresco

 



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Escrito por: Flávio Silver

 

Em linguagem científica, não sei se a Crise é homo ou heterossexual.
mas que ela anda a foder toda a gente, ai isso anda!

 



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Escrito por: Flávio Silver

Uma lesma intrometeu-se no meu caminho.
Parei. olhei-a nos olhos.
E, como sou um poeta gentil,
perguntei-lhe: como te chamas?

 



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Escrito por: Flávio Silver

Ama o Céu cá na Terra e diz que é magno o teu fogo
Não digas a ninguém que o amor é um engenho de criar bichos
Que as mulheres e os homens podem sair a correr das suas camas
Tão aflitos como o silêncio que nos pariu

Fala como se o vento dividisse a força contigo
E lança o pedregulho para embater no satélite mais afastado
Mas nunca deixes de amar como uma mosca que poisa no casaco
Sem o ruído das forquilhas
Sem tropeçar na canção que duas línguas produzem

Esquece que a cidade dança sobre um lume
É sabido que o coração é um botão preso por uma linha
Ou talvez
Um velho armante
A julgar-se capaz de tapar uma ferida com o dedo largo

Não deixes que a fome de atirador prevaleça
nem cuspas nas mãos para aqueçê-las
pois este frio é antigo
marmóreo nos sulcos das veias
sem boletim de vacinas

O amor saberá esperar pela calada de um bosque
A guerra não deixa corar os sexos
Disse um dia um soldado antes de pisar o excremento

Se um dia me vieres visitar não tragas lenha nem lanche
Evita meter conversa com as aves rapina
E vem direitinha a mim numa velocidade de naufrágio
Saberás que os filhos que programámos também dormem na areia

Pois é de nós ensinar a somar todos os fenómenos com crepúsculos
Se mesmo assim a casa não se levantar ou um deus vier
contar a mesma história
Eis que as pedras se unem para fazer os dias


oiça pela voz de Luis Gaspar:
http://www.estudioraposa.com/audio/lugar_95_flavio_lopes_silva.mp3



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Escrito por: Flávio Silver

Houvesse uma grávida que parisse um mundo novo e inteiro

Ou um anão que cuspisse uma bola de fogo

E dela saísse Homens do mesmo tamanho

Se possível com uma flor no cabelo

O amor com um lustro de saliva

Uma transparência igual à do rio Homem

Que é perpendicular ao meu corpo mal refinado

 

 

E um apostador que ao ler um poema dissesse: chega!

Acabavam-se os heróis e os candeeiros avariados

E os dias ganhariam tantas raízes comuns

Tantas luzes de aniquilar Gigantes

Que ao amor era-lhe impossível não dar frutos

Não dar homens rectos e tochamente iluminados

Em vez de cabeças espetas na ponta de um ceptro

 

 



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Escrito por: Flávio Silver

Tenho sete mil razões para duvidar de ti ó Portugal de meia dúzia de grandes.

As tuas praias, as tuas póvoas, já não têm cota no mercado. Foste vendida aos ingleses, deixaste entrar os fregueses de olhos em bico. Vais comprar lá fora e vendes cá dentro ao preço do traficante.

 

A tua gente quase não sente a brisa que era dantes. O cavaquinho e a braguesa não soam pelas ruas, a peixeira tirou um curso mas não lhe valeu de nada. O operário leva para casa o zumbido das máquinas e é com a batida ensurdecedora que compõe o pé direito do sonho.

 

Portugal, eu venho aqui falar das cidades abandonadas, dos castelos comidos pelo tempo, a tua poesia já não é cantiga de amigo nem embala o menino que um dia dormiu nas palhas. Cuida do teu povo, da tua gente que te fez valente há quinhentos anos atrás, dá-lhes o teu melhor, o fado e as tasquinhas, a liberdade de ser, a conjugação plena do verbo existir, a valentia das tuas caravelas.

 

Tenho sete mil razões para estar de mal contigo, sete mil palmos de chão que cairam nas mãos dos bancários e dos empreiteiros, e tu não dizes nada?!  Ficas aí na varanda do silêncio a fumar o teu cigarro,  a dar palha ao abismo.

Que vai ser das tuas crianças que nasceram ontem numa barraca de hospital?, numa estrada esburacada, entre uma aldeia e uma cidade, com um carimbo no peito a dizer: deixa lá não penses nisso!

 

Olha como o peixe vem triste para a mesa!, vê a felicidade com rituais macabros, olha o polícia todo contente em passar multas à gente. O teu vestido já toca o chão, encolheste, é preciso nascer ouriço para te compreender. Foste dono do mundo, compraste pimenta e sal, pariste Camões e Vasco da Gama, descobriste mares sem ponta de medo, olha para ti e vê como mudaste, a tua figura assemelha-se à tristeza de um sino quando dá inicio à procissão.

 

Que é feito do teu malhão que nos convidava para a festa? Que é feito da tua coragem de ir e vencer? Ó Portugal das vitórias e dos hinos das multidões!, a tua sopa aziomou e o melhor de ti ofereces ao idiota?! O teu futuro, o nosso riso, está nas mãos do leiloeiro, queres que te conte mais? O teu ofício é semear diferenças, a tua energia é um número extenso no papel, a tua carne é como o futuro: é para quem dá mais.

 

Encerras escolas e inauguras centros comerciais, lês o que as estrelas têm para dizer mas não escutas ninguém. Que será de nós quando crescermos? Quando tudo for pelos ares e não restar uma biblioteca para defender a tua história? Tenho sete mil razões para te pôr contra o vento, sete toneladas de corações para fazer a empreitada de uma nova vida, sete caminhos que vão dar a um, sete ideologias que terminam em Bem.

 

O teu sistema imunitário falhou, já não provocas riso, os teus rios levam mágoas, as tuas aldeias: só nos postais; as ribeirinhas quem deram que fossem outra vez, o teu perfume de maresia nem com frasco de remédio é de novo.

 

Agora sonhas é com craques da bola, ó isso sim, com estilistas que te baixam as calças, com cantores que levam a literatura ao suicídio. Nem com chuva de nove meses isto irá mudar se acaso não visitares todos os lares, se não converteres cimento em alegria, se não casares todas as tuas filhas com os filhos do sol.

 

Para mim és peça de barro numa estante que se Terra abana mais um pouco cais ao chão, e se calhas de mostrar o rabo... O teu sabor amargo reconheço em Espanha ou em Istambul, o fato solene não convence ninguém, ó meu Portugal dos noventa e tais por cento pequeninhos!

 

 



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Escrito por: Flávio Silver

Finalmente e, após várias infiltrações em debates de out-doors, em desfiles por estas ruas direitas, mesmo antes do surgimento da pirataria, do comando à distância, do shampoo dois em um, chego à conclusão que, são os homens que botam farda por cima dos seus corpos que mais sucesso têm com as mulheres. Admire-se!

Soube nesses entretantos que a farda tem um poder persuasor, provocante, excitante, uma chaves de judoca que agarra qualquer mulher e bota-a no tapete para seu uso.

O bombeiro Quintas já me tinha secretado que, desde que a farda começou a fazer parte da sua vida - que só a tira para o exame da rectoscopia - o número de piscadelas e piropos femininos (masculinos poucos) não param de aumentar, de fazer furor e a mover sensibilidades, ao ponto da do segundo direito ter enlouquecido por um dia ter tocado nela.

Logo que sai de casa pela manhãzinha, as senhoras que estão debatendo o progresso na padaria vêm à porta depositar suas babas e seus uis.

O padre da paróquia ao topar que assim é, olha com desdém a sua batina. O farmacêutico, sem ninguém saber, mandou vir uma de Espanha no intuito de obter mais sucesso nos esquemas à media luz.

A farda do polícia é das que mais causa distúrbios nos corações da moçada. Em plena rua algumas viram autênticas galinhas mitológicas penicando na sua própria pele perguntando: “por que é que eu não tenho um destes lá em casa?!”. De facto, aquele aspecto lavado (exteriormente) com um toque de Lili Caneças, um de ar de fadista que precisa de dois bagaços para afinar, é uma bomba para a fidelidade. É que aquilo atrai mesmo! Inclusive borboletas e moscas que estacionam nas beiras das estradas.

Como dizia eu, verifiquei esta tendência das mulheres perderem suas resistências perante um fardamento, quando uma moçoila de Vilar de Perdizes fugiu com o ciclista que vinha em último lugar na Volta a Portugal, fazendo este um desvio na rota, com a sua Sallete atrás, rumo a Espanha para a núpcia nupciante.

Os porteiros modernos, que agora se vestem tal o noivo no dia do casamento, usufruem das vantagens de terem sobre os seus mantos de cicatrizes uma farda que, pode não dar respeito nenhum, mas que passou a ser um foco de miragem sobre as raparigas, isso sim, nomeadamente as que moram nos cimos dos montes e usam bigode de fazer rebelia no encontro nacional de bigodagens.

Mas afinal o que é que tem de interessante uma farda para além de poupar a esposa em lavagens? Como disse, a minha experiência no campo da observação escancarada, a somar vectores, rios com mares, a conclusão que tiro é: toda e qualquer farda provoca excitação, a sua perfeita combinação de cores trata de cegar os corações das mulheres; que ficam tão loucas como se um cantor de música sartaneja lhes cantasse bem perto dos seus ouvidos.

Mas nem tudo é fado. O senhor Ramiro, após dezasseis anos a envergar a farda noite e dia, um dia cansou-se dela e, como consequência directa resultou-lhe o divórcio. Uma vez sem farda já não era o mesmo quiduxo que ela, a sua “esponja”, um dia conheceu, e recorda aquele Domingo ao pé do fontanário, com voz trémula:

- Assim que vi aquela farda azul no meio de vinte homens fiquei logo outra. Não era bem os seus olhos nem a sua Vespa. Foi a farda que ele trazia vestido! e que agora, esse excomungado, se lembrou de a deitar fora!

Depois disto, um choro tão intenso como na altura de dizer Sim na igreja, causando uma mancha no fardamento do noivo. Mas que a alegria havia de reparar todas as manchas.

A farda funciona como um íman, só que, o inconveniente desta funcionalidade, é que ela não consegue separar os sexos, então, atrai toda a gama de gente. O que se está mesmo a ver a trabalheira que dá em ter de se esquivar de alguns maganos que usam lencinho de fora no bolso da jaqueta!

Ter farda ou não ter eis a questão! Em segundo lugar no que toca a destroçar corações, vem o fato-macaco que, apesar do seu aspecto brejeiro e naftalinoso, possui características aromáticas que atrai qualquer fêmea desprevenida ou mal casada. O seu aspecto de quem sofre de incompreensão torna-se numa máquina de inventar elogios, vai daí que, a aproximação a estes portadores de fato-macaco seja vista com desdém, nomeadamente pelos maridos daquelas mulheres que saem à rua com o olho à belenenses.

O fato-macaco pode não ter um corte à Valentino, pode não ter dupla costura, forrado a penas ou a brancura da fronha do Mickael Jackson, mas numa coisa ele fica a ganhar: é que são dois animais a pensar: o homem e o macaco. Enfim, uma autêntica armadilha para as solteironas que sonham casar antes que sejam aclamadas de tias.

A farda militar surge logo atrás, com o seu aspecto multifuncional, onde os bolsos mal costurados permite-lhes coçar a virilha sem perder a letra do hino.

Se um destes dias me virem na Vandoma à procura de uma farda que me sirva, digam a quem não leu esta crónica que eu agora ando fardado porque vou combater, assim, evito problemas lá em casa, caso contrário, ó fardas para que te quero!

 



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Escrito por: Flávio Silver

pois é malta, a Edium Editores decidiu apostar num trabalho de textos poéticos chamado "Sou um louco que sabe tocar acordeão" , mas, quanto a mim, loucos são eles em apostar num louco como eu.

está marcada a apresentação para o dia 5de Dezembro de 2008, na Bibioteca Municipal de Barcelos (não se preocupem que eu vou mandar os ratos dar uma volta nesse dia) pelas 21:30.

para apresentação ainda não sei quem seja, mas, presumo que seja alguém humano e que vive aqui na terra pelo menos há vinte anos

para a leitura dos textos teremos o excelentíssimo senhor Fernando Soares, e a dona dra. Fátima Marques.

apareçam, vai ser aquilo que vai ser: uma festa sem consumo obrigatório, a não ser que optem por comprar o livro. o que agradeço.

então até lá. vou dando notícias.

 



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Escrito por: Flávio Silver

Visões?, quem não as tem?! Em toda a minha vida de pernalta, já tive várias. Desde a descoberta do fingimento do orgasmo até ao pensar que o melhor figo é aquele que vem parar direitinho às mãos.

Desta vez foi quase verdadeira a minha visão.

Era noite. Pouco depois das duas da manhã. Uma sombra em passo tosco acompanhava-me. Só depois descobri que a sombra era minha. Ao virar a esquina da mercearia do Vilas, mesmo ao pé de um lampião de fraca luz amarela, ele lá estava: um ser esverdeado, deambulando pela rua, reflectindo uma luz de prata, equivalente aos olhos da morena que esteve comigo no motel do Barradas.

Meus olhos já me enganaram, mas desta vez posso garantir que não. A poucos metros de mim estava um ser iluminado, meio curvado, talvez pelo cansaço da sua viagem, talvez sua ossada seja mesmo assim. Do seu corpo saía uma bafagem de névoa quente que o envolvia, desfazendo-lhe os contornos do corpo. Nunca vira ser tão estranho pelas redondezas.
De repente começou a trautear uma canção e, eu jurava ser o refrão de um desses parolos que dá na televisão. Já andaria ele por cá na Terra há algum tempo ao ponto de aprender o nosso vocabulário? Será dos que rapam o tacho na esperança de um Aladino?

Lembro-me que tremi feito canavial em hora de vento acelerado. Mas, apesar da força do medo, mantive-me quieto, sem deixar escapar o mínimo gesto a declarar a minha presença ali. Observava o ser estrangeiro com a perspicácia de um detective, camuflado por entre os arbustos, com umas rezas miudinhas para que um péssimo veredicto não sobrasse para mim.

O tal Ser, puxou de um SG Ventil que o tratou logo de o consumir, com sua bocarra a descair para um dos lados. Dei mais um trago na botelha de gim que sempre me acompanha no bolso de dentro do casaco que, após boa decilatrada pelas goelas abaixo, confirmou o meu estado de consciência.

Pensei em meter conversa com o E.T., afinal esta seria a grande descoberta do século XXI; estar cara a cara com alguém que apenas habita em nossos pensamentos não é inventar um 13 de Maio. Até tinha uma série de perguntas para fazer, ou, uns golpes de karaté se a coisa desse para o torto. Num ápice, anulei as duas hipóteses e, fui observando a postura do tipo verde que, de quando em quando, apanhava uns objectos do chão (cartões, plásticos, pontas de charros, garrafas vazias, soutiens rasgados, camisinhas tamanho pequeno e até alguns molares), para depois os meter numa espécie de carrinho espacial.

Facto número um: todos os movimentos eram estranhos. Facto número dois: a chegada de outro ser esverdeado confirma o facto número um.

Quando o outro chegou, trocaram entre eles palavras mais afiadas, num idioma de quem tem faltado a muitas missas. Falavam de um lance que o árbitro não assinalou, que o meu clube de futebol é melhor que o teu, que o nosso Primeiro é isto, que a democracia já não usa cuecas, que se não fossem a chegada de algumas brasileiras teriam de brincar ao cinco contra um. Depois riam-se como abéculas medonhas a fugirem para as suas tocas.

Farto de não entender aquele aparatoso teatro, resolvi, como que puxado pelo sangue quente que me corria nas veias, chegar-me bem perto deles, sem recear nem duvidar. Quando a minha decisão estava convencida a ser, a ter um tecto, passou por mim um camião iluminado que parou junto dos seres verdes, com duas listas brancas horizontais na roupa que traziam e, levou-os.

Parei meu relógio interior e, posso até jurar mas, por falta de provas, não o faço, porque, ainda hoje fico a pensar se aquele camião que levou os Seres dali para fora seria uma nave espacial ou se seria mesmo o camião da câmara municipal que andava a recolher o lixo à noite. Não sei não. Da próxima vez que isto me acontecer, terei de poderar todas as hipóteses para que não me chamem lunático. Visões, que não as tem?! Até o pardal quando lança bitaites à pardaleja, vejam lá! Mas, meus senhores, minhas senhoras, minhas musas, minhas culpas, não adianta puxar lustro aos olhos porque a coisa é fácil de se ver, que eles andam aí, andam!

- Valha-nos Jesus, Nossa Senhora, ia jurar que ouvi alguém falar em aumentos salariais, reduzir impostos...
- Visões, meu amigo. Você continua com visões!
- Quem está aí? Responda! Socooorro, tenho um ministro dentro do sapato!

(a voz do povo):
- Cal-ça! Cal-ça! Calça o sapato!

(meio segundo de reflexão e...):
- Splash!!Plaf!!!



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Escrito por: Flávio Silver

 

Já alguém dedicou uma crónica aos caçadores? Que burro!, claro que já!, ou não fossem eles os predadores de tudo ou quase tudo que se mexe no ar. Um dia que um anjo resolva vir à terra, está-se mesmo a ver o que acontecerá à sua brancura. Ou mesmo eu, que às vezes ando com a cabeça no ar, portanto, convem-me não dizer muitas piadas sobre eles, senão, pum pum.

O caçador tem um estilo próprio, acreditem, os coletes de verde pinho que eles botam por cima dos camisolões para ficarem mais entroncados, têm uma ciência por explicar dentro deles. Ou seja, nunca ninguém descobriu a verdadeira função daquele aparatoso colete, cujos setecentos bolsos abrigam mortalhas, piriscas, quatro latas de cerveja, fisgas, etc. Mas isso nada importa. Penso que eles usam isso para não serem confundidos com agentes florestais ou sub de sub-empreiteiros que andam a apalpar terreno para a criação de bordéis. O caçador, é por norma, a seguir aos pescadores de rio poluente, mesmo à frente de consultores imobiliários, os maiores gabacholas. Passo a explicar: mesmo que a caça lhes corre má, utilizam expressões um pouco Pessoanas, do tipo: “só vim matar saudades”, ou, “ vim matar o tempo”.



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