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5 de Dezembro - meu 4º livro | 15Ago2008 14:33:27
pois é malta, a Edium Editores decidiu apostar num trabalho de textos poéticos chamado "Sou um louco que sabe tocar acordeão" , mas, quanto a mim, loucos são eles em apostar num louco como eu.
está marcada a apresentação para o dia 5de Dezembro de 2008, na Bibioteca Municipal de Barcelos (não se preocupem que eu vou mandar os ratos dar uma volta nesse dia) pelas 21:30.
para apresentação ainda não sei quem seja, mas, presumo que seja alguém humano e que vive aqui na terra pelo menos há vinte anos
para a leitura dos textos teremos o excelentíssimo senhor Fernando Soares, e a dona dra. Fátima Marques.
apareçam, vai ser aquilo que vai ser: uma festa sem consumo obrigatório, a não ser que optem por comprar o livro. o que agradeço.
então até lá. vou dando notícias.
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tenho um ministro dentro do sapato | 29Jul2008 14:44:04
Visões?, quem não as tem?! Em toda a minha vida de pernalta, já tive várias. Desde a descoberta do fingimento do orgasmo até ao pensar que o melhor figo é aquele que vem parar direitinho às mãos.
Desta vez foi quase verdadeira a minha visão.
Era noite. Pouco depois das duas da manhã. Uma sombra em passo tosco acompanhava-me. Só depois descobri que a sombra era minha. Ao virar a esquina da mercearia do Vilas, mesmo ao pé de um lampião de fraca luz amarela, ele lá estava: um ser esverdeado, deambulando pela rua, reflectindo uma luz de prata, equivalente aos olhos da morena que esteve comigo no motel do Barradas.
Meus olhos já me enganaram, mas desta vez posso garantir que não. A poucos metros de mim estava um ser iluminado, meio curvado, talvez pelo cansaço da sua viagem, talvez sua ossada seja mesmo assim. Do seu corpo saía uma bafagem de névoa quente que o envolvia, desfazendo-lhe os contornos do corpo. Nunca vira ser tão estranho pelas redondezas.
De repente começou a trautear uma canção e, eu jurava ser o refrão de um desses parolos que dá na televisão. Já andaria ele por cá na Terra há algum tempo ao ponto de aprender o nosso vocabulário? Será dos que rapam o tacho na esperança de um Aladino?
Lembro-me que tremi feito canavial em hora de vento acelerado. Mas, apesar da força do medo, mantive-me quieto, sem deixar escapar o mínimo gesto a declarar a minha presença ali. Observava o ser estrangeiro com a perspicácia de um detective, camuflado por entre os arbustos, com umas rezas miudinhas para que um péssimo veredicto não sobrasse para mim.
O tal Ser, puxou de um SG Ventil que o tratou logo de o consumir, com sua bocarra a descair para um dos lados. Dei mais um trago na botelha de gim que sempre me acompanha no bolso de dentro do casaco que, após boa decilatrada pelas goelas abaixo, confirmou o meu estado de consciência.
Pensei em meter conversa com o E.T., afinal esta seria a grande descoberta do século XXI; estar cara a cara com alguém que apenas habita em nossos pensamentos não é inventar um 13 de Maio. Até tinha uma série de perguntas para fazer, ou, uns golpes de karaté se a coisa desse para o torto. Num ápice, anulei as duas hipóteses e, fui observando a postura do tipo verde que, de quando em quando, apanhava uns objectos do chão (cartões, plásticos, pontas de charros, garrafas vazias, soutiens rasgados, camisinhas tamanho pequeno e até alguns molares), para depois os meter numa espécie de carrinho espacial.
Facto número um: todos os movimentos eram estranhos. Facto número dois: a chegada de outro ser esverdeado confirma o facto número um.
Quando o outro chegou, trocaram entre eles palavras mais afiadas, num idioma de quem tem faltado a muitas missas. Falavam de um lance que o árbitro não assinalou, que o meu clube de futebol é melhor que o teu, que o nosso Primeiro é isto, que a democracia já não usa cuecas, que se não fossem a chegada de algumas brasileiras teriam de brincar ao cinco contra um. Depois riam-se como abéculas medonhas a fugirem para as suas tocas.
Farto de não entender aquele aparatoso teatro, resolvi, como que puxado pelo sangue quente que me corria nas veias, chegar-me bem perto deles, sem recear nem duvidar. Quando a minha decisão estava convencida a ser, a ter um tecto, passou por mim um camião iluminado que parou junto dos seres verdes, com duas listas brancas horizontais na roupa que traziam e, levou-os.
Parei meu relógio interior e, posso até jurar mas, por falta de provas, não o faço, porque, ainda hoje fico a pensar se aquele camião que levou os Seres dali para fora seria uma nave espacial ou se seria mesmo o camião da câmara municipal que andava a recolher o lixo à noite. Não sei não. Da próxima vez que isto me acontecer, terei de poderar todas as hipóteses para que não me chamem lunático. Visões, que não as tem?! Até o pardal quando lança bitaites à pardaleja, vejam lá! Mas, meus senhores, minhas senhoras, minhas musas, minhas culpas, não adianta puxar lustro aos olhos porque a coisa é fácil de se ver, que eles andam aí, andam!
- Valha-nos Jesus, Nossa Senhora, ia jurar que ouvi alguém falar em aumentos salariais, reduzir impostos...
- Visões, meu amigo. Você continua com visões!
- Quem está aí? Responda! Socooorro, tenho um ministro dentro do sapato!
(a voz do povo):
- Cal-ça! Cal-ça! Calça o sapato!
- Splash!!Plaf!!!
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o velho caçador | 05Fev2008 12:36:00
Já alguém dedicou uma crónica aos caçadores? Que burro!, claro que já!, ou não fossem eles os predadores de tudo ou quase tudo que se mexe no ar. Um dia que um anjo resolva vir à terra, está-se mesmo a ver o que acontecerá à sua brancura. Ou mesmo eu, que às vezes ando com a cabeça no ar, portanto, convem-me não dizer muitas piadas sobre eles, senão, pum pum.
O caçador tem um estilo próprio, acreditem, os coletes de verde pinho que eles botam por cima dos camisolões para ficarem mais entroncados, têm uma ciência por explicar dentro deles. Ou seja, nunca ninguém descobriu a verdadeira função daquele aparatoso colete, cujos setecentos bolsos abrigam mortalhas, piriscas, quatro latas de cerveja, fisgas, etc. Mas isso nada importa. Penso que eles usam isso para não serem confundidos com agentes florestais ou sub de sub-empreiteiros que andam a apalpar terreno para a criação de bordéis. O caçador, é por norma, a seguir aos pescadores de rio poluente, mesmo à frente de consultores imobiliários, os maiores gabacholas. Passo a explicar: mesmo que a caça lhes corre má, utilizam expressões um pouco Pessoanas, do tipo: “só vim matar saudades”, ou, “ vim matar o tempo”.
Ler mais | Comentários (1) | Visualizações (235). | 04Fev2008 23:15:00
há lençóis no mar que abrigam | 29Jan2008 10:10:00
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Gê Ene Erre | 25Jan2008 13:32:00
Estou confuso. Estou com um entupimento cerebral e, raios!, não sei por onde hei-de começar. Pelo príncipio seria o mais lógico, mas, desta vez, começarei pelo fim. Não, não vou pedir que comecem já a rir, até porque quem ri por último, ri melhor.
Desculpem-me a péssima entrada mas, há coisas que não consigo entender e, uma delas é: o fardamento da nossa GNR. Vocês já repararam bem naquelas calças azuis, justíssimas, a fazer depilação automática, com as botas de cano alto de fora? Bem, eu não quero insinuar nada, mas, cá para nós, quem desenhou aquele traje pindérico devia estar a pensar em outras coisas marotas. Ainda nem sei como é que a comunidade Gay não tirou o modelo daquela vestimenta que, como mostra de respeito, não tem nada, a não ser que a ideia passe em captar talentos para o Ballet.
Outra minhoca que rabeia num dos meus seis ou sete sentidos é: a bolsa das mulheres! Outra vez: a bolsa das mulheres!, que tantos sonetos daria para o menor dos inspirados sonetistas. Sei que várias tentativas foram fracassadas no deciframento dos possíveis e inimagináveis objectos que as queridas donzelas transportam naquele que, segundo o núcleo de investigação científica, a fórmula para o prolongamento dos tecidos corporais, ou mesmo o código Da Vinci, pode aí ser desvendado.
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Crónica ambiental | 25Jan2008 13:31:00
Desta vez a crónica é feita sem o cigarro colado nos dedos. Não é que tenha deixado de fumar - a ver vamos - mas, resolvi trazer esta semana uma crónica, digamos, ambientalista, sem aquele odor característico de massa esparguete de três dias. Para já, antes de qualquer graçola democrática, devo dizer que, concordo com a nova lei do tabaco, apenas com alguns acrescentos e tal, ela daria uma esfinge grega – bastante adorada.
Está bem que a malta que fuma deve, quando o espaço não permite, adiar o vicio por uns bocados, mas, agora, por exemplo, e eu que quando vou a uma cafetaria tenho de suportar a televisão ligada na TVI com uns badamecos a palrar a missinha dos três vinténs?! E eu, que até não gosto de coelho estufado, sou obrigado a gramar com o cheiro desse animal que, graças a não sei quem, de animal de estimação foi galardoado a animal de refeição?!
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